sexta-feira, 16 de setembro de 2016

O pior cego é aquele que não quer ver

O pior cego é o que não quer ver

         Usamos a expressão para nos referirmos à pessoa que se recusa a ver o que está bem ao alcance do seu olhar. Aquele que por algum motivo de foro íntimo, nega-se a ver a realidade.
Conta-nos a história que tal expressão, teve origem em um caso de cirurgia de transplante de córnea, ocorrido em 1647, na França, na universidade de Nimes, quando o doutor Vicent de Paul D'Argenrt  realizou  o primeiro transplante de córnea em um aldeão de nome Angel. O resultado da cirurgia foi um verdadeiro sucesso, menos para Angel, que assim que passou a enxergar, não gostou nada do mundo que passou a ver. Disse que a realidade que ele imaginava era muito melhor. Pediu ao cirurgião que desfizesse a cirurgia e arrancasse seus olhos. O caso foi acabar no tribunal de Paris e no Vaticano. Angel ganhou a causa e entrou para a história como “o cego que não quis ver”.
Literalmente, então o “cego que não quer ver” existiu mesmo! Hoje, assim denominamos aquele indivíduo que se recusa a enxergar a realidade a sua frente. As pessoas, hoje, estão cegas em seus julgamentos e opiniões, recusando-se como Angel, o camponês da cirurgia do transplante de córnea, a ver a realidade que os fatos mostram. Isto é muito preocupante na medida em que passamos a conviver com um bom número de cegos voluntários ou involuntários andando por aí dando esbarrões nos outros com suas contradições e, o que é pior, muitas vezes tomando decisões importantes totalmente equivocadas.
A realidade é que ninguém é totalmente insuspeito em matéria de opinião. Nossos julgamentos sempre terão alguma dose de viés psicológico individual, devido a todas as nossas “impressões” que são influenciadas pela nossa formação e nosso “conhecimento”. A bíblia deixa claro que a verdade não está ao alcance da compreensão de todos os reles mortais, no momento em que alerta: “Ouça quem tem ouvidos e entenda quem tem entendimento”. Mais uma vez o livrinho sagrado nos traz conhecimento profundo para que possamos melhor compreender o mundo.
Diante de tanto “lixo” que é compartilhado nas redes sociais por estes dias, faço um apelo, agora que questões importantíssimas do país terão que ser decididas e informações sobre as investigações sobre a corrupção estão surgindo a toda a hora. Vamos ser pessoas razoáveis. Vamos ficar em dúvida, sobre as verdades trazidas por todos os lados da questão. Uma coisa são fatos e indícios, outra coisa é a opinião deste ou daquele renomado artista, professor, poeta, cientista ou político. Opinião é só opinião, por mais renomado que seja o autor, não tem força de verdade. Que fique só nisto! Só louco sai de cara tomando partido e defendendo uma causa sem conhecer todos os fatos. É a tal de prudência que o meu saudoso pai sempre falava, antes de fazer qualquer movimento em uma direção.

Outra coisa, todos sabemos que o que quer que tenha ocorrido no passado, não é garantia de presente e nem de futuro. O passado é estático fica parado no tempo e o mundo se movimenta. A vida é movimento. A realidade muda a cada instante. Nada é permanente: até a pedra virará pó um dia! Temos, então, que viver um dia após o outro, com a realidade que se apresenta a cada momento e, portanto, precisamos reciclar de, tempos em tempos, a nossa forma de pensar e de agir, sob pena, de sucumbirmos às novas circunstâncias que se apresentam. Ninguém escapa a “Roda do Samsara” (a roda da vida). O mundo gira e o tempo não para!