terça-feira, 20 de outubro de 2020

 

Vacinas para Covid-19: fazer ou não fazer?

Há assuntos que com ou sem a nossa opinião vão muito bem, obrigado. Porém determinadas questões são vitais para a sociedade, e é importante que que possamos estar debatendo sobre elas. Se alguém ainda não se deu conta de que neste planetinha Terra estamos todos no mesmo barco, está na hora da ficha cair e passarmos a agir o quanto antes, como uma verdadeira comunidade, seja ela local ou global. Todos temos responsabilidades sobre algumas questões que querendo, ou não querendo, nos afetam conjuntamente.

Eu estou aqui colocando um ponto de vista e acho importante que todos nós sempre busquemos ouvir e interpretar várias fontes de informação. Vamos falar da Covid-19 e da possível vacina que se avizinha. Julgo-me razoavelmente preparado para fazer, de forma responsável e desapaixonada, algumas ponderações sobre este assunto.

As questões de saúde pública são do interesse de todos. É a comunidade que está doente com a Covid-19 e para ser enfrentada esta doença, é necessária a ação consciente e responsável de todos. É uma atitude egoísta você não contemplar a situação dos demais, principalmente dos que estão no grupo dos mais vulneráveis. É uma atitude muito egoísta, as pessoas usarem máscaras e protegerem você e você sair correndo pela rua como um grande atleta, respirando cansado pela boca, emitindo uma carga viral enorme no ar.  

A comunidade mundial está padecendo de uma doença nova que se abandonada ao seu curso, como querem alguns, fará um número bem considerável de vítimas a mais do que está ocorrendo atualmente em função de várias medidas tomadas, como uso de máscaras e distanciamento social e medidas de higiene adequadas, fato que se não evita a doença, pode favorecer para que as pessoas se contaminem com uma carga viral baixa que seu organismo possa dar conta de combater. Ninguém pode ter certeza de como irá evoluir no caso de ser contaminado. Existem grupos de maior risco, mas não é uma sentença de morte para ninguém, assim como ninguém, mesmo jovem e saudável, possui um “salvo conduto” de que não irá se complicar ou morrer com a doença.

Não existe ainda tratamento seguro para a Covid-19. Algumas coisas comprovadamente ajudam como pronar o paciente (virá-lo de barriga para baixo) para melhorar o nível de saturação do oxigênio, uso de corticoide em casos graves que precisam de oxigênio, e também o uso de anticoagulante se mostra eficaz em determinados casos. Mesmo dentro de um grande hospital, se o caso se complicar, não há o que se possa fazer, a não ser dar suporte ao organismo debilitado do doente.  Infelizmente a Cloroquina e o “Kit Anti Covid-19” não funciona, nem mesmo em fase muito precoce, ou preventivamente. A esta altura do conhecimento desenvolvido sobre a doença soa irresponsável, ou insano defender esta conduta. Nenhuma instituição séria está recomendando esta terapia defendida individualmente por alguns médicos, leigos e uma parte da imprensa alternativa.

Como o exposto acima, a vacina se apresenta como a grande esperança de que possamos voltar logo a vida normal. Mas que dizer em relação a ela? Temos a experiência comprovadamente eficiente das vacinas já existentes usadas para prevenir outras doenças. É inegável que nos livramos de muitos males terríveis através das vacinas, e também fracassamos com alguns como no caso da AIDS. Com a Varíola matando números elevados de pessoas pelo mundo, houve no Brasil do início do século XX, uma campanha contra a vacinação em massa. Tivemos que perder muitas vidas, até que finalmente o bom senso prevaleceu e todos compreenderam a importância de vacinar-se contra esta doença, que ainda se mantém afastada graças a vacina específica.

Ainda não temos nenhuma vacina contra a Covi-19, aprovada no Brasil e já tem gente se manifestando contra a mesma e contra a necessidade de vacinação. Estou escrevendo isto unicamente por que vejo como fundamental que um percentual alto de pessoas se vacine contra a covid-19. A doença quando adquirida não confere imunidade permanente e, quando confere é para poucos meses; já tendo ficado provado o caso de reinfecções apenas algumas semanas após um contágio inicial. Portanto, a doença não fará uma imunidade de rebanho como aconteceu com outras doenças e irá se tornar endêmica no mundo, permanecendo na sociedade como uma permanente ameaça de uma elevação repentina de novos casos e de colapso para o sistema de saúde. A esperança está em se descobrir rapidamente medicamentos que promovam a cura da doença, ou uma, ou várias vacinas.

A solução que mais se avizinha no horizonte é a vacinação específica. Mas para a vacina funcionar, embora as pessoas tenham a liberdade de fazer ou não a mesma, é necessário que se consiga uma cobertura vacinal importante em toda a comunidade para garantir a “imunidade de rebanho”. Em certas doenças este percentual é mais alto ou mais baixo, mas uma cobertura acima de 90%, em qualquer doença seria uma garantia importante de que a comunidade toda se mantenha imune. Mesmo quem não se vacinar, por tabela ficará protegido no caso de um elevado índice vacinal.  Se alguém se contaminar será mais difícil encontrar alguém para transmitir a doença e ela assim se manterá sob controle. É bonito o discurso da liberdade individual de que se vacine quem quiser, mas temos que pensar na reponsabilidade coletiva que, neste caso, é importante para controlar a doença. Se houver uma vacina sem muitos efeitos adversos e com boa cobertura, não há uma justificativa razoável para que a maioria não o faça!

E quanto a segurança da vacina contra a Covi-19 quem vamos ouvir, a quem vamos dar crédito? Quem é que conhece vacinas? Aqui no Brasil, quando a Fiocruz, ou o Instituto Butantã, os Conselhos de Medicina, Farmácia, Biomedicina, a Anvisa avalizarem uma vacina, vamos dar crédito a instituições, ou a indivíduos que se arrogam de donos da verdade, de salvadores da pátria? Se ainda assim formos muito céticos, sempre poderemos ainda olhar o que os órgãos de saúde de alguns governos como o Alemão, Inglês, Americano, Francês, ou os cientistas de Israel e Cuba, que tem uma grande tradição de responsabilidade com seus cidadãos estão recomendando. Ainda as fontes da grande imprensa, os grandes jornais do Brasil e do mundo, as grandes redes midiáticas, são fontes muito mais confiáveis que as fontes alternativas, ou as pessoas comuns. Não sigam o que eu estou dizendo sem conferir as minhas informações com outras fontes. É assim que se age com a responsabilidade necessária em mais este momento crítico da história da humanidade. Informações dessa importância devem obrigatoriamente passar pelo crivo de instituições, laboratórios, locais em que um colegiado avaliza as condutas e não apenas um indivíduo, ou um grupo de indivíduos mesmo que estes possuam alguma formação científica. Dar crédito a leigos, quando se tratar de matéria de saúde, é uma atitude imprudente é o mínimo que se pode dizer! Tenham todos um bom dia, reflitam bem, que o assunto é muito relevante! 

sábado, 28 de março de 2020


AS EPIDEMIAS E A NOSSA FALSA SENSAÇÃO DE SEGURANÇA


Orlando Vanin Trage*

         Os acontecimentos atuais da pandemia do Covid-19 estão a nos mostrar que era falsa a nossa sensação de segurança em relação às grandes epidemias. Eu mesmo cometi este erro falando aos meus ouvintes durante algumas palestras, dizendo de como é bom termos nascido nesta época de progresso da ciência com tantas tecnologias que nos conectam ao mundo em tempo real, meios de transporte que fizeram o mundo tornar-se pequeno, frente às velocidades alcançadas pelos modernos aviões que nos levam em questões de horas de um hemisfério ao outro do globo. Mas o que eu mais destacava, era o progresso da medicina: exames médicos capazes de fazer uma varredura em nosso corpo todo, bem como analisá-lo do ponto de vista bioquímico, histológico e fisiológico.  Quantos progressos em relação ao controle da dor, melhoras espantosas das técnicas cirúrgicas, transplantes de órgãos, imunologia, antibióticos e medicamentos em geral; enfim realmente no campo da medicina, em alguns setores, o progresso é espantoso. E eu estava enganado quando afirmava que estávamos livres das grandes epidemias e da peste, que estes males eram coisas do passado! Hoje os fatos nos mostram que estamos sob ameaça pela Covid-19 e no futuro poderemos ter até mesmo outros agentes virais novos, com letalidade bem maior do que o atual Corona Vírus a rondar as nossas vidas.
Achamos caro pagar dois mil reais para um técnico de enfermagem, cinco mil reais para uma enfermeira, quinze ou vinte mil para um médico, e em torno de quinze mil por mês para um cientista. Gastar um milhão com uma pesquisa nos parece um número absurdo! Mas, achamos natural um jogador de futebol ou artistas, ganharem milhões. Não nos surpreendemos até mesmo com a classe política consumir bilhões do orçamento da nação, isto sem falar no escandaloso financiamento público das campanhas políticas. Para quem nossas esperanças de ajuda se voltam neste momento de grande atribulação em que temos uma doença nova que ainda não tem tratamento e prevenção segura? Para o pessoal da saúde e os cientistas, ou os atletas, artistas e políticos milionários? Quem são os nossos heróis anônimos que fazem vacinas, medem pressão, realizam exames, fazem diagnóstico, prescrevem e administram medicação e tratamento? Que se expõem a contaminação e que estão e estarão sempre lá, aconteça o que acontecer?
        Lembro que, minha mãe nos contava que uma das nossas vizinhas imigrante alemã, havia perdido o primeiro marido e dois filhos na epidemia da Gripe Espanhola de 1918. “Naquela época a família chegava do enterro de um parente e já tinha que ir ao enterro de outro, isto quando iam, pois quem podia se fechava em casa”, explicava minha mãe. O número de vítimas fatais daquela epidemia realmente foi grande. Relatos históricos nos contam que em seis meses da Gripe Espanhola, morreram mais pessoas do que nos quatro anos de batalhas da I Guerra Mundial. Jornais dos anos de 1918-19 expressam o drama social e as angústias vividas pelas pessoas da época: o medo da morte, a perda das referências afetivas, o isolamento, a ruptura com vínculos sociais das ruas e da comunidade. Além do que, havia também a revolta com os sistemas de saúde então existentes que não davam um mínimo de suporte as necessidades da população. Foi a partir desta epidemia que os serviços públicos de saúde tiveram uma maior atenção dos governantes e maiores orçamentos. Precisou morrer muita gente para isto acontecer. Gastava-se mais com a polícia do que com a saúde. Esta nova epidemia vai nos ensinar a lição de que precisamos investir seriamente em saúde?
           Na época, a gripe espanhola viajou nos navios para chegar aos continentes. Andou na carona do trem e até mesmo de carroça para chegar ao interior, levando meses para disseminar-se. Segundo, Torres (2007) no Rio Grande do Sul ela chegou a bordo de dois navios que aportaram em Rio Grande, em outubro de 1918, e depois em Porto Alegre, com vários marinheiros doentes a bordo, isto depois da recusa de poderem adentrarem nos portos do Paraná e Santa Catarina. O próprio ministro da justiça escreveu carta ao Governador Borges de Medeiros considerando inútil o isolamento de doentes, e afirmando que a gripe que já havia chegado a Rio Grande, fatalmente atingiria Porto Alegre.
            A Espanhola viajou de navio e levou muitos meses para chegar a alguns lugares, e não atingiu alguns pontos mais remotos. Já o Corona Vírus viajou de avião e foi para alguns lugares de um dia para o outro. Avança com grande velocidade. O medo é de que essa crise venha a atingir a todos nós. O vírus, salvo resultados favoráveis de novos testes, não pode ser tratado. Com medidas adequadas os efeitos desta pandemia podem ser diminuídos, mas não eliminados. Uma boa parte dos habitantes do planeta vai contrair o Corona Vírus, com sintomas ou não, e só então teríamos o surgimento de uma população imune, pois ainda não dispomos de vacina para acelerar o processo. O ciclo natural de contaminação, apresentação de sintoma, sobreviver à doença, produzir anticorpos e tornar a humanidade imune, deve durar muitos meses. Enfim temos um período relativamente longo de preocupações pela frente. Há governos mais preocupados com a economia do que poupar vidas. Isto assusta a muita gente.
          A lição da Gripe Espanhola já tem mais de cem anos, e parece haver sido esquecida. Quem poderia imaginar que a maioria dos sistemas de saúde dos países, até do primeiro mundo, se mostrariam insuficientes para dar conta da demanda no atendimento aos acometidos? Quem poderia imaginar que o mundo e suas grandes potências não tinham um planejamento de enfrentamento de uma pandemia? Que o nosso arsenal medicamentoso não disporia de nada eficiente para curar uma doença nova? Que um vírus, um simples filamento de RNA, poderia se transformar e invadir células humanas de maneira tão fácil e ser potencialmente letal para algumas pessoas?
        Estávamos em uma falsa sensação de segurança em relação à ciência e o seu poder de enfrentamento de doenças novas, bem como ao sistema econômico mundial e de alguns países mais pobres, que mostram uma vulnerabilidade impressionante frente a um curto período de parada de atividades econômicas.  A economia mundial não tem poupança para enfrentar alguns meses de recolhimento de boa parte da população em casa. A doença e a fome, portanto são ameaças bem presentes sim, mesmo nos tempos atuais.
         Em todos estes momentos de apreensão e de crise a sociedade reage e se transforma. Despertamos a solidariedade adormecida e cobramos das autoridades as medidas necessárias para superar os problemas. Da Gripe Espanhola não aprendemos todas as lições. Vamos superar tudo isto em algum momento, porém, vamos aprender todas as lições possíveis para deixar para as futuras gerações?

         *Cirurgião-dentista formado pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul   
              Mestrando em história pela Universidade de Passo Fundo.

Referência
TORRES, Luiz Henrique. A Gripe Espanhola e o colapso do cotidiano. In: Imprensa, história, literatura e informação. Anais do II Congresso Internacional de Estudos Históricos. FURG, Rio Grande, 2007.

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018

A mentira ganha força? A era da “pós-verdade”!
É urgente uma reflexão séria sobre um fenômeno, muito atual e, a meu ver, preocupante em nossos dias, e que toma especial importância com a proximidade da eleição em nosso país, neste ano de 2018. Trata-se do fenômeno em que fatos objetivos com indícios substanciais de verdade, tem menos importância na formação da opinião pública do que crenças, ideologias e até mesmo apelos emocionais. Em resumo, estamos ignorando dados da realidade para darmos a nossa interpretação de acordo com a nossa emoção e as nossas crenças. Esta circunstância, segundo algumas publicações, ganhou até uma palavra no dicionário da língua inglesa, destacada no ano de 2016 pelo departamento de dicionários da Universidade Oxford e que, traduzida para o português, está se tornando conhecida pelo termo “pós-verdade”.
Estamos na era da “pós-verdade”? Vivemos, então, uma época “depois da verdade” pelo que se depreende do termo! Isto quer dizer que o compromisso com a verdade dos fatos está perdendo espaço para outros ingredientes subjetivos e que estamos sendo tolerantes com a mentira. A mentira não propicia uma avaliação real da situação e sem uma correta avaliação, as soluções propostas têm uma grande chance de dar errado. A mentira alimenta sonhos, mas não nutre um organismo.
Afinal o nosso compromisso fundamental ético e moral não deve ser com a verdade? Se olharmos também do ponto de vista religioso, cristão, a bíblia nos alerta que devemos estar despertos e devemos buscar a verdade onde ela estiver. “Conhecei a verdade e ela vos fará livres”, fala o livrinho sagrado. Depreende-se do texto bíblico, por lógico, que a mentira então nos aprisiona. Temos ou não o dever de lutar para sermos livres, autodeterminados, ou isto é uma questão de escolha pessoal? O resultado coletivo interliga-se às nossas escolhas pessoais e, portanto, quando um número grande de indivíduos age de forma inadequada acaba refletindo negativamente na vida de outros indivíduos e na sociedade como um todo. Pessoas responsáveis, portanto, devem zelar por um agir apropriado de todos os indivíduos.
Entendo está situação do “pós-verdade” como preocupante. Pois, ela nos remete a que estamos deixando de lado o tão necessário “bom senso” ensinado pelos nossos pais, para cairmos na aventura da emoção e da paixão, nem sempre as melhores conselheiras.
Falamos tanto na situação ética da nossa política e da nossa preocupante situação econômica, sendo que muitos estão dispostos a assumir irresponsavelmente, desde logo, um candidato a presidência da República, sem ouvir os demais, sem o devido debate e avaliação dos compromissos que estão sendo assumidos por todos os pretendentes ao cargo! Sim porque há de ter alguns candidatos bem-intencionados e que merecem o respeito de serem ouvidos com atenção.  Como assim, a campanha nem iniciou e muita gente já cristalizou seu voto? Certamente é um voto partidário, ideológico, que nem sempre será a melhor opção. O sensato é ouvir o que todos estão propondo e ver o que isto representaria caso chegassem ao governo.
Vamos relevar o passado e as dúvidas que pairam sobre determinados candidatos em detrimento do nosso compromisso de votar pelo melhor para o país e deixar prevalecer a nossa ideologia?
Vamos reduzir o debate entre o “nós e eles” numa redução simplista de tornar tudo apenas uma luta de esquerda e direita, como se não fôssemos um todo, uma nação, e não precisássemos zelar pelo conjunto, pois é o todo que nos viabiliza economicamente e socialmente?
O pais precisa produzir riquezas e para isto precisa de todos os agentes econômicos. Sem riqueza, sem progresso não há o que distribuir. É fundamental o necessário o equilíbrio e certamente as melhores soluções não estão nas posições extremadas e sim as mais ao centro do leque de opções?
Vamos deixar de analisar que as circunstâncias mudam e que a cada momento precisamos fazer nova avaliação da situação que poderá exigir uma nova atitude?
Vamos ignorar que não basta se eleger e que é preciso ter força para governar? Que temos que eleger alguém que una o país e seja capaz de comandar um projeto que não exclua ninguém, fazendo um governo para todos.
Em um contexto de compromisso com a verdade não podemos ser hipócritas e fazer de conta que não percebemos uma luta de poder pelo poder, sem olhar para os interesses gerais do nosso povo, em que prevalece a mentira como uma arma importante de luta. Para isto a internet é bombardeada diariamente com informações tendenciosas, manipuladas e que são também maliciosamente ou inocentemente compartilhas por milhares de simpatizantes. Não podemos ser complacentes com mentiras que circulam como verdades, porque isto beneficia ideologias e fecha caminhos para a observação dos fatos, muitas vezes graves. Não podemos ignorar que há verdadeiros laboratórios do crime, trabalhando dia e noite para disseminar informações falsas que beneficiem ou prejudiquem este ou aquele.
 Precisamos analisar os fatos e ver o que eles nos indicam doa ao quem doer. Nossa responsabilidade de cidadãos conscientes e autodeterminados é lutar para que a verdade seja respeitada e valorizada acima de paixões ideológicas como uma condição inalienável para o nosso bem e nosso progresso. A história, e de forma mais marcante os episódios que resultaram em guerras sangrentas que vitimaram milhões, notadamente a II Guerra Mundial, nos ensinam que muitos erros que levaram a catástrofes da humanidade resultaram do fanatismo religioso e político que cega, das mentiras da propaganda enganosa, da manipulação de fatos e da omissão de milhões de pessoas que mesmo sabendo da verdade toleraram a mentira que beneficiava suas crenças.
          Queremos repetir esta história?
                        

                                                             Carazinho, 04/02/2018

                                                             Orlando Vanin Trage

quarta-feira, 9 de novembro de 2016

O Poder da mídia não é absoluto!

Lição da eleição americana...
O poder da mídia não é absoluto! No Brasil, nas redes sociais, não há um santo dia que não tenha alguém que critique a rede globo e a imprensa brasileira de um modo geral, dizendo que manipulam a opinião do povo e que há um complo da mídia contra a esquerda. Até certo ponto isto pode ser verdadeiro, tanto que no período que antecedeu a votação do refendo do desarmamento, o governo brasileiro e toda a imprensa faziam campanha direta e intensa a favor do estatuto do desarmamento. Era visível na imprensa da época, através das "reportagens jornalísticas", a intenção de manipular a opinião da população a respeito daquele assunto. O resultado do referendo, rejeitando o estatuto, contrariou a campanha institucionalizada e sistemática da mídia e do governo, provando que os eleitores fazem as suas convicções de forma independente e soberana.
Não é novidade para ninguém que a grande imprensa americana e internacional, faziam abertamente campanha para Hilary Clinton. Criticavam e mostravam, a toda a hora, as fragilidades e deslizes éticos de Donald Trump e o quanto seu governo seria nocivo para o povo americano e os interesses internacionais do país. Mesmo numa sociedade conservadora e com um bom nível cultural, não adiantou nada! O eleitorado fez a sua prória convicção e elegeu Trump, contrariando a propaganda da mídia e as projeções das pesquisas eleitorais. A idéia que ficou é que os americanos elegeram o pior candidato e tinham tudo para saber disto.
Os dois exemplos que cito, acima, são bastante contundentes para mostrar que só sofre influência da mídia aquele indivíduo que deseja e que permite ser influenciado! E que que estes indivíduos, muitas vezes, fazem parte de uma minoria que não chega a decidir o resultado de uma eleição.
É uma lição para ser aprendida para as próximas eleições brasileiras: Que a mídia não leve a culpa pela eleição deste ou daquele polítco! O povo tem o seu próprio meio de fazer as suas escolhas, seja para o bem ou para o mal.

sexta-feira, 16 de setembro de 2016

O pior cego é aquele que não quer ver

O pior cego é o que não quer ver

         Usamos a expressão para nos referirmos à pessoa que se recusa a ver o que está bem ao alcance do seu olhar. Aquele que por algum motivo de foro íntimo, nega-se a ver a realidade.
Conta-nos a história que tal expressão, teve origem em um caso de cirurgia de transplante de córnea, ocorrido em 1647, na França, na universidade de Nimes, quando o doutor Vicent de Paul D'Argenrt  realizou  o primeiro transplante de córnea em um aldeão de nome Angel. O resultado da cirurgia foi um verdadeiro sucesso, menos para Angel, que assim que passou a enxergar, não gostou nada do mundo que passou a ver. Disse que a realidade que ele imaginava era muito melhor. Pediu ao cirurgião que desfizesse a cirurgia e arrancasse seus olhos. O caso foi acabar no tribunal de Paris e no Vaticano. Angel ganhou a causa e entrou para a história como “o cego que não quis ver”.
Literalmente, então o “cego que não quer ver” existiu mesmo! Hoje, assim denominamos aquele indivíduo que se recusa a enxergar a realidade a sua frente. As pessoas, hoje, estão cegas em seus julgamentos e opiniões, recusando-se como Angel, o camponês da cirurgia do transplante de córnea, a ver a realidade que os fatos mostram. Isto é muito preocupante na medida em que passamos a conviver com um bom número de cegos voluntários ou involuntários andando por aí dando esbarrões nos outros com suas contradições e, o que é pior, muitas vezes tomando decisões importantes totalmente equivocadas.
A realidade é que ninguém é totalmente insuspeito em matéria de opinião. Nossos julgamentos sempre terão alguma dose de viés psicológico individual, devido a todas as nossas “impressões” que são influenciadas pela nossa formação e nosso “conhecimento”. A bíblia deixa claro que a verdade não está ao alcance da compreensão de todos os reles mortais, no momento em que alerta: “Ouça quem tem ouvidos e entenda quem tem entendimento”. Mais uma vez o livrinho sagrado nos traz conhecimento profundo para que possamos melhor compreender o mundo.
Diante de tanto “lixo” que é compartilhado nas redes sociais por estes dias, faço um apelo, agora que questões importantíssimas do país terão que ser decididas e informações sobre as investigações sobre a corrupção estão surgindo a toda a hora. Vamos ser pessoas razoáveis. Vamos ficar em dúvida, sobre as verdades trazidas por todos os lados da questão. Uma coisa são fatos e indícios, outra coisa é a opinião deste ou daquele renomado artista, professor, poeta, cientista ou político. Opinião é só opinião, por mais renomado que seja o autor, não tem força de verdade. Que fique só nisto! Só louco sai de cara tomando partido e defendendo uma causa sem conhecer todos os fatos. É a tal de prudência que o meu saudoso pai sempre falava, antes de fazer qualquer movimento em uma direção.

Outra coisa, todos sabemos que o que quer que tenha ocorrido no passado, não é garantia de presente e nem de futuro. O passado é estático fica parado no tempo e o mundo se movimenta. A vida é movimento. A realidade muda a cada instante. Nada é permanente: até a pedra virará pó um dia! Temos, então, que viver um dia após o outro, com a realidade que se apresenta a cada momento e, portanto, precisamos reciclar de, tempos em tempos, a nossa forma de pensar e de agir, sob pena, de sucumbirmos às novas circunstâncias que se apresentam. Ninguém escapa a “Roda do Samsara” (a roda da vida). O mundo gira e o tempo não para! 

quarta-feira, 24 de agosto de 2016

A propósito da reforma da previdência no Brasil.

Reforma da previdência: Insensibilidade para compreender que a vida se movimenta...
Movimento é vida. A vida de nossos pais e nossos avós era outra. Já um índio guarani vivia em média 35 anos e esta também era média de vida de um guerreiro romano na época de Cristo. Praticamente já conquistamos quase cinquenta anos de vida a mais do que outras gerações. As conquistas mais expressivas são praticamente dos últimos cinquenta anos. As conquistas da longevidade não param e não se vislumbra ainda um limite final. Portanto, temos que pensar no futuro e pensar no futuro é pensar na previdência. Precisamos ter a garantia de que as futuras gerações que estarão trabalhando não carreguem o peso das aposentadorias com cálculo atuarial desatualizado. Temos que garantir de que, após determinada idade, as pessoas possam parar de trabalhar e ter algum ganho que lhe garanta viver com tranquilidade seus últimos anos de vida.
Temos que enfrentar este problema da reforma da previdência o quanto antes. É fala de todos os governos que passaram de que é preciso reformar a previdência. Não adianta esta posição radical e insensível dos sindicatos e de políticos irresponsáveis, demagógicos, de que não se mexe em conquistas dos trabalhadores e trabalhadores somos todos nós. É difícil entender de que a vida está em movimento e as leis precisam ser mudadas para serem adequadas às novas situações? Nada é definitivo. Nenhuma conquista pode ser totalmente imutável! A mudança muitas vezes é o que vai permitir manter a conquista.
Estamos conseguindo mais tempo de vida e, portanto, é lógico que temos que aceitar que podemos ter um tempo de atividade maior até a chegada da aposentadoria. Existe uma expectativa de vida diferente para homens e mulheres e é perfeitamente lógico que isto seja levado em consideração no cálculo do período aquisitivo da aposentadoria. Ora se a mulher vive dez anos a mais e se aposenta dez anos antes e ainda acumula a pensão por morte do marido é um dado que precisa ser considerado em qualquer discussão séria sobre o assunto.
O presidente Fernando Henrique fez reformas na previdência, o presidente Lula deu mais uma pegadinha. A presidente Dilma vivia falando na reforma da previdência. É um problema muito sério. Este país precisa de reformas e a reforma da previdência é uma das mais importantes e urgentes.
Os nossos congressistas quando estão no governo geralmente são a favor da reforma, quando são da oposição são contra. Isto é pensar pequeno e só preocupar-se com o próprio umbigo. É trabalhar contra o país e seus cidadãos. É escancarar uma contradição inaceitável do ponto de vista de responsabilidade social.
O pessoal do PT, agora na oposição, já esta contra, qualquer reforma. Seria muito inteligente até aproveitar e fazer as reformas que o país precisa, sem sofrer o desgaste político que ninguém quer que aconteça para si mesmo e para sua grei partidária.
Nós como cidadãos temos que cobrar dos nossos congressistas que votem as reformas necessárias sem procrastinar. Vai ser bom para qualquer governante que assumir o governo do país em 2018. Adiar a reforma é trabalhar contra si mesmo e o país.

Se este congresso não votar as medidas que o país precisa, vamos usar a força dos nossos votos e não reelegê-los nas próximas eleições gerais.

quinta-feira, 18 de agosto de 2016

ASSUNTO MUITO SÉRIO: FINANCIAMENTO DE CAMPANHA
Os candidatos já estão com as contas de campanha abertas nos bancos para as eleições 2016. Eles aguardam de coração na mão para que bons cidadãos, verdadeiramente desinteressados contribuam para suas campanhas. Pensando bem, é o mínimo que poderíamos fazer pelos candidatos que se dispõe “heroicamente e desinteressadamente” a concorrer.
Muitas pessoas terão pensado que eu estou sendo irônico ou insensivelmente brincando ao realizar o comentário acima. Mas ele tem muito de verdade! A eleição é um processo normal, prática corrente na democracia. Seria muito justo que o partido pagasse a campanha de seus candidatos, afinal eles estão representando o projeto do partido. Quando é o próprio candidato que tem que pagar as contas da campanha, a ideia que fica é de que na prática não é um partido que está concorrendo e, sim, uma pessoa ou um grupo. Neste caso é o partido que esta sendo oportunista com o candidato ou os candidatos e uma vez eleito desta forma é quase natural que o prefeito tenha um comportamento personalista e governe para quem o ajudou financeiramente a eleger-se. O partido não teve compromisso com ele. Ele também não terá compromisso com o partido! Como é que um partido vai poder cobrar do administrador algum compromisso, se ele o abandonou financeiramente na eleição. Existem pessoas que pensam que candidatos são “vacas que pastam no céu e dão leite aqui na terra”.
Falando sério minha gente boa, as despesas oficiais e legais em uma campanha avolumam o suficiente para assustar muitos possíveis candidatos sinceramente desinteressados. O ideal seria que muitas pessoas contribuíssem com um pouco, tirando do financiamento de campanha o cunho pessoal da doação. Favoreceria a equidade entre os candidatos, facilitando sobremaneira as campanhas e os eleitos governariam para todos, sem compromisso com seus financiadores. Se o prefeito vai administrar para a comunidade, não é justo pagar sozinho uma conta enorme para se eleger. Estará recebendo salário, sim, porque estará trabalhando e não recebendo devolução do que gastou na campanha.
Portanto, na medida do possível, vamos ser cidadãos de verdade e modestamente mudar o hábito, contribuindo mesmo modestamente para as campanhas dos nossos candidatos. Só pode doações de pessoas físicas. Quem não prestou declaração de renda pode doar até no máximo mil reais. E quem fez declaração, pode doar até dez por cento do que declarou de renda no ano anterior. Claro que podem ser doações bem menores. A democracia e a cidadania ficariam engrandecidas e quem ganharia com isto, seria toda a comunidade!