quarta-feira, 9 de novembro de 2016

O Poder da mídia não é absoluto!

Lição da eleição americana...
O poder da mídia não é absoluto! No Brasil, nas redes sociais, não há um santo dia que não tenha alguém que critique a rede globo e a imprensa brasileira de um modo geral, dizendo que manipulam a opinião do povo e que há um complo da mídia contra a esquerda. Até certo ponto isto pode ser verdadeiro, tanto que no período que antecedeu a votação do refendo do desarmamento, o governo brasileiro e toda a imprensa faziam campanha direta e intensa a favor do estatuto do desarmamento. Era visível na imprensa da época, através das "reportagens jornalísticas", a intenção de manipular a opinião da população a respeito daquele assunto. O resultado do referendo, rejeitando o estatuto, contrariou a campanha institucionalizada e sistemática da mídia e do governo, provando que os eleitores fazem as suas convicções de forma independente e soberana.
Não é novidade para ninguém que a grande imprensa americana e internacional, faziam abertamente campanha para Hilary Clinton. Criticavam e mostravam, a toda a hora, as fragilidades e deslizes éticos de Donald Trump e o quanto seu governo seria nocivo para o povo americano e os interesses internacionais do país. Mesmo numa sociedade conservadora e com um bom nível cultural, não adiantou nada! O eleitorado fez a sua prória convicção e elegeu Trump, contrariando a propaganda da mídia e as projeções das pesquisas eleitorais. A idéia que ficou é que os americanos elegeram o pior candidato e tinham tudo para saber disto.
Os dois exemplos que cito, acima, são bastante contundentes para mostrar que só sofre influência da mídia aquele indivíduo que deseja e que permite ser influenciado! E que que estes indivíduos, muitas vezes, fazem parte de uma minoria que não chega a decidir o resultado de uma eleição.
É uma lição para ser aprendida para as próximas eleições brasileiras: Que a mídia não leve a culpa pela eleição deste ou daquele polítco! O povo tem o seu próprio meio de fazer as suas escolhas, seja para o bem ou para o mal.

sexta-feira, 16 de setembro de 2016

O pior cego é aquele que não quer ver

O pior cego é o que não quer ver

         Usamos a expressão para nos referirmos à pessoa que se recusa a ver o que está bem ao alcance do seu olhar. Aquele que por algum motivo de foro íntimo, nega-se a ver a realidade.
Conta-nos a história que tal expressão, teve origem em um caso de cirurgia de transplante de córnea, ocorrido em 1647, na França, na universidade de Nimes, quando o doutor Vicent de Paul D'Argenrt  realizou  o primeiro transplante de córnea em um aldeão de nome Angel. O resultado da cirurgia foi um verdadeiro sucesso, menos para Angel, que assim que passou a enxergar, não gostou nada do mundo que passou a ver. Disse que a realidade que ele imaginava era muito melhor. Pediu ao cirurgião que desfizesse a cirurgia e arrancasse seus olhos. O caso foi acabar no tribunal de Paris e no Vaticano. Angel ganhou a causa e entrou para a história como “o cego que não quis ver”.
Literalmente, então o “cego que não quer ver” existiu mesmo! Hoje, assim denominamos aquele indivíduo que se recusa a enxergar a realidade a sua frente. As pessoas, hoje, estão cegas em seus julgamentos e opiniões, recusando-se como Angel, o camponês da cirurgia do transplante de córnea, a ver a realidade que os fatos mostram. Isto é muito preocupante na medida em que passamos a conviver com um bom número de cegos voluntários ou involuntários andando por aí dando esbarrões nos outros com suas contradições e, o que é pior, muitas vezes tomando decisões importantes totalmente equivocadas.
A realidade é que ninguém é totalmente insuspeito em matéria de opinião. Nossos julgamentos sempre terão alguma dose de viés psicológico individual, devido a todas as nossas “impressões” que são influenciadas pela nossa formação e nosso “conhecimento”. A bíblia deixa claro que a verdade não está ao alcance da compreensão de todos os reles mortais, no momento em que alerta: “Ouça quem tem ouvidos e entenda quem tem entendimento”. Mais uma vez o livrinho sagrado nos traz conhecimento profundo para que possamos melhor compreender o mundo.
Diante de tanto “lixo” que é compartilhado nas redes sociais por estes dias, faço um apelo, agora que questões importantíssimas do país terão que ser decididas e informações sobre as investigações sobre a corrupção estão surgindo a toda a hora. Vamos ser pessoas razoáveis. Vamos ficar em dúvida, sobre as verdades trazidas por todos os lados da questão. Uma coisa são fatos e indícios, outra coisa é a opinião deste ou daquele renomado artista, professor, poeta, cientista ou político. Opinião é só opinião, por mais renomado que seja o autor, não tem força de verdade. Que fique só nisto! Só louco sai de cara tomando partido e defendendo uma causa sem conhecer todos os fatos. É a tal de prudência que o meu saudoso pai sempre falava, antes de fazer qualquer movimento em uma direção.

Outra coisa, todos sabemos que o que quer que tenha ocorrido no passado, não é garantia de presente e nem de futuro. O passado é estático fica parado no tempo e o mundo se movimenta. A vida é movimento. A realidade muda a cada instante. Nada é permanente: até a pedra virará pó um dia! Temos, então, que viver um dia após o outro, com a realidade que se apresenta a cada momento e, portanto, precisamos reciclar de, tempos em tempos, a nossa forma de pensar e de agir, sob pena, de sucumbirmos às novas circunstâncias que se apresentam. Ninguém escapa a “Roda do Samsara” (a roda da vida). O mundo gira e o tempo não para! 

quarta-feira, 24 de agosto de 2016

A propósito da reforma da previdência no Brasil.

Reforma da previdência: Insensibilidade para compreender que a vida se movimenta...
Movimento é vida. A vida de nossos pais e nossos avós era outra. Já um índio guarani vivia em média 35 anos e esta também era média de vida de um guerreiro romano na época de Cristo. Praticamente já conquistamos quase cinquenta anos de vida a mais do que outras gerações. As conquistas mais expressivas são praticamente dos últimos cinquenta anos. As conquistas da longevidade não param e não se vislumbra ainda um limite final. Portanto, temos que pensar no futuro e pensar no futuro é pensar na previdência. Precisamos ter a garantia de que as futuras gerações que estarão trabalhando não carreguem o peso das aposentadorias com cálculo atuarial desatualizado. Temos que garantir de que, após determinada idade, as pessoas possam parar de trabalhar e ter algum ganho que lhe garanta viver com tranquilidade seus últimos anos de vida.
Temos que enfrentar este problema da reforma da previdência o quanto antes. É fala de todos os governos que passaram de que é preciso reformar a previdência. Não adianta esta posição radical e insensível dos sindicatos e de políticos irresponsáveis, demagógicos, de que não se mexe em conquistas dos trabalhadores e trabalhadores somos todos nós. É difícil entender de que a vida está em movimento e as leis precisam ser mudadas para serem adequadas às novas situações? Nada é definitivo. Nenhuma conquista pode ser totalmente imutável! A mudança muitas vezes é o que vai permitir manter a conquista.
Estamos conseguindo mais tempo de vida e, portanto, é lógico que temos que aceitar que podemos ter um tempo de atividade maior até a chegada da aposentadoria. Existe uma expectativa de vida diferente para homens e mulheres e é perfeitamente lógico que isto seja levado em consideração no cálculo do período aquisitivo da aposentadoria. Ora se a mulher vive dez anos a mais e se aposenta dez anos antes e ainda acumula a pensão por morte do marido é um dado que precisa ser considerado em qualquer discussão séria sobre o assunto.
O presidente Fernando Henrique fez reformas na previdência, o presidente Lula deu mais uma pegadinha. A presidente Dilma vivia falando na reforma da previdência. É um problema muito sério. Este país precisa de reformas e a reforma da previdência é uma das mais importantes e urgentes.
Os nossos congressistas quando estão no governo geralmente são a favor da reforma, quando são da oposição são contra. Isto é pensar pequeno e só preocupar-se com o próprio umbigo. É trabalhar contra o país e seus cidadãos. É escancarar uma contradição inaceitável do ponto de vista de responsabilidade social.
O pessoal do PT, agora na oposição, já esta contra, qualquer reforma. Seria muito inteligente até aproveitar e fazer as reformas que o país precisa, sem sofrer o desgaste político que ninguém quer que aconteça para si mesmo e para sua grei partidária.
Nós como cidadãos temos que cobrar dos nossos congressistas que votem as reformas necessárias sem procrastinar. Vai ser bom para qualquer governante que assumir o governo do país em 2018. Adiar a reforma é trabalhar contra si mesmo e o país.

Se este congresso não votar as medidas que o país precisa, vamos usar a força dos nossos votos e não reelegê-los nas próximas eleições gerais.

quinta-feira, 18 de agosto de 2016

ASSUNTO MUITO SÉRIO: FINANCIAMENTO DE CAMPANHA
Os candidatos já estão com as contas de campanha abertas nos bancos para as eleições 2016. Eles aguardam de coração na mão para que bons cidadãos, verdadeiramente desinteressados contribuam para suas campanhas. Pensando bem, é o mínimo que poderíamos fazer pelos candidatos que se dispõe “heroicamente e desinteressadamente” a concorrer.
Muitas pessoas terão pensado que eu estou sendo irônico ou insensivelmente brincando ao realizar o comentário acima. Mas ele tem muito de verdade! A eleição é um processo normal, prática corrente na democracia. Seria muito justo que o partido pagasse a campanha de seus candidatos, afinal eles estão representando o projeto do partido. Quando é o próprio candidato que tem que pagar as contas da campanha, a ideia que fica é de que na prática não é um partido que está concorrendo e, sim, uma pessoa ou um grupo. Neste caso é o partido que esta sendo oportunista com o candidato ou os candidatos e uma vez eleito desta forma é quase natural que o prefeito tenha um comportamento personalista e governe para quem o ajudou financeiramente a eleger-se. O partido não teve compromisso com ele. Ele também não terá compromisso com o partido! Como é que um partido vai poder cobrar do administrador algum compromisso, se ele o abandonou financeiramente na eleição. Existem pessoas que pensam que candidatos são “vacas que pastam no céu e dão leite aqui na terra”.
Falando sério minha gente boa, as despesas oficiais e legais em uma campanha avolumam o suficiente para assustar muitos possíveis candidatos sinceramente desinteressados. O ideal seria que muitas pessoas contribuíssem com um pouco, tirando do financiamento de campanha o cunho pessoal da doação. Favoreceria a equidade entre os candidatos, facilitando sobremaneira as campanhas e os eleitos governariam para todos, sem compromisso com seus financiadores. Se o prefeito vai administrar para a comunidade, não é justo pagar sozinho uma conta enorme para se eleger. Estará recebendo salário, sim, porque estará trabalhando e não recebendo devolução do que gastou na campanha.
Portanto, na medida do possível, vamos ser cidadãos de verdade e modestamente mudar o hábito, contribuindo mesmo modestamente para as campanhas dos nossos candidatos. Só pode doações de pessoas físicas. Quem não prestou declaração de renda pode doar até no máximo mil reais. E quem fez declaração, pode doar até dez por cento do que declarou de renda no ano anterior. Claro que podem ser doações bem menores. A democracia e a cidadania ficariam engrandecidas e quem ganharia com isto, seria toda a comunidade!

segunda-feira, 18 de julho de 2016

Combinação catastrófica: eleições sem candidatos com plano de governo e eleitores sem consciência na hora do voto


Faltam candidatos com planos de governo em sintonia com a realidade local e com a população. E falta também consciência da maioria dos eleitores na hora do voto. É muito temerário esperar bons resultados de uma conjugação assim.   
Os nossos partidos políticos  não são e nunca foram organizações de interesse público, mas sim de interesse privado, já afirmava VIANA, Oliveira, em sua obra Populações meridionais do Brasil, Rio de janeiro, 1952. No meu entendimento a afirmação continua muito verdadeira mais de sessenta anos depois, sendo que os partidos em sua grande maioria representam interesses particulares de pessoas ou de grupos. Há indícios de que neste país já se criaram muitos municípios e alguns estados para atender interesses políticos de alguns.
Estamos mais uma vez na véspera de eleições. Não vejo em nossos municípios os partidos realizando estudos, fazendo diagnóstico de problemas importantes, realizando planejamento estratégico, conversando com a população para que possam, durante a curta campanha que virá, apresentar as suas propostas de como, se eleitos, viriam a administrar municípios combalidos financeiramente pela situação econômica do país e também pela má gestão crônica dos recursos públicos. Todos sabem que sem planejamento não chegamos a contento a lugar nenhum.
Por outro lado temos o problema da falta do voto consciente. Teriam razão políticos responsáveis e competentes em não perder seu tempo planejando e apresentando a população seus planos de governo, quando a população não leva isto em consideração na hora do voto? Eu entendo que mesmo com um percentual baixíssimo de voto consciente, os políticos deveriam fazer o dever de casa, conversar com a população e com o conjunto da sociedade para fazer um plano de governo em sintonia com a realidade e os reais anseios da população local.
    
Acho que a nossa sociedade e a nossa democracia não vem bem. Como cidadão procuro fazer a minha parte para melhorar o meu município, o meu estado, o meu país e até mesmo o nosso planeta. Teremos eleições em todos os municípios brasileiros. Sabendo da importância que tem o voto para balizar os rumos de uma administração, é o momento oportuno para que você aí, com os seus próprios botões, reflita e admita para você mesmo (não é preciso revelar a ninguém a conclusão a que você chegar) que tipo de voto você pretende dar nesta eleição? Reflita sinceramente. É muito importante! Há certas coisas acontecendo que não dá para colocar a culpa nos outros, é preciso fazer o “mea culpa”.
Você pretende decidir seu voto como?

          1º - Pretende dar um voto consciente?
          2º - Será um voto partidário?
          3º - Será um voto de interesse pessoal?
          4º - Vai votar coagido por uma ameaça?
          5º - Vai realizar voto de protesto?
          6º - Pretende votar em quem acha que vai vencer a eleição?

          O percentual do voto consciente varia de lugar para lugar, porém em geral, segundo alguns analistas de marketing político, é menos de 10% dos votos do eleitorado, chegando em algumas cidades a pouco significativa cifra de 3%, portanto uma estatística muito preocupante para a democracia, pois este deveria ser o voto que deve decidir uma eleição. Sabemos que o tal voto consciente advém do grupo de eleitores considerados politizados, verdadeiramente cidadãos auto-suficientes que analisam criticamente cada candidato antes de definir em quem votar. Com o percentual citado acima tão baixo é realmente de deixar preocupados os cidadãos responsáveis, pois o que decide a eleição são fatores que não tem nada a ver com o bem comum e a qualidade da gestão. Os candidatos vencedores elogiam o tal voto consciente atribuindo a eles as suas vitórias, já os candidatos derrotados lamentam a sua falta, atribuindo a isto a derrota. 
Levando-se em consideração a atual conjuntura política vivenciada em nossa sociedade, já não se está exigindo muito dos eleitores e políticos, sendo admitidos como conscientes aqueles que simplesmente não aderem ao tão comentado jogo de compra e venda de votos. O pensamento também é corroborado por muitos cidadãos e alguns políticos, para quem, ser consciente se reduz apenas a essa postura de não vender e não comprar o voto. E o que dizer daqueles que afirmam participar do verdadeiro banco de negociações cuja mercadoria é o voto, porém de maneira “inteligente”, como costumam dizer, recebem de um ou mais candidatos e acabam votando em outro de quem não receberam quantia alguma pelo voto? Pelo que deu para se perceber, informalmente, esse contingente de eleitores cresceu ultimamente, o que, de certo modo, justifica os casos de candidaturas em que foram gastas quantias elevadas, mas que não lograram êxito eleitoral. Vejam, portanto, que voto realmente consciente é um voto raro.
Parabéns se você se encaixar dentro desta categoria de voto! Você é verdadeiramente um cidadão que presta bons serviços ao nosso país. Parabéns! Quando chegarmos aos 50% de votos conscientes, teremos com certeza outra realidade.
          Se você será um voto partidário, merece respeito, pois é importante que tenhamos partidos fortes e a fidelidade é uma coisa bonita, porém um voto meramente partidário em algum momento pode se transformar em um voto “burro”. Aproximadamente em torno de 20% de todos os votos são votos partidários. No fundo é um voto cego, sem análise alguma do candidato: É do meu partido é bom! Pensa este tipo de eleitor!. Será que o seu partido em todas as eleições sempre teve o melhor candidato? É um voto que poderá, às vezes, ser meio inconsequente, mas não deixa de ser um voto digno e que merece o respeito. Você provavelmente é um pouco fanático. Porém é bom sonhar e acreditar nos sonhos. A fé é que move o mundo!
          Se você pensa no seu interesse para votar,  você faz parte de uma triste estatística de um número considerável de pessoas “espertas”. Se você vende a sua dignidade, o futuro do seu município, o futuro dos seus filhos, o que podemos dizer a uma pessoa assim? Dignidade e futuro dos nossos filhos não tem preço que pague. O eleito deve ter compromisso com você por todo o tempo do mandato. Se ele já pagou o seu voto, o compromisso dele no contrato que implicitamente fez com você acabou por aí. E então você terá de esperar mais quatro anos por novas migalhas, advinda do leilão do seu voto. E assim vai perpetuando a pobreza, o atraso e a ignorância! É de se lamentar muito... Tende estudar e educar-se. Eduque seus filhos! Acredito que seja a única coisa que possa mudar esta realidade: Educação, educação!
          Se você vota “no cabresto”, oficialmente chamado de voto “cabalado”, isto é aquele voto em que você votou pressionado por cabo eleitoral ou candidato é de se lamentar que não tenham o mínimo respeito por você, pela sua liberdade, pela sua capacidade de pensar e decidir por vontade própria. Tiram de você o direito de “ser dono do prório nariz”! Você foi roubado em sua dignidade de cidadão. Assaltaram você e roubaram de você uma coisa valiosa: o seu voto. Dá próxima vez proteja-se desses marginais assaltantes. A cabine de votação garante a você o direito a privacidade e ao sigilo do voto. Se for preciso recorra às autoridades, garanta o seu direito de cidadão. Vote de acordo com a sua consciência. Denuncie a pressão.
          Se você vai votar por protesto, se vota por raiva, uma vez passa! Até porque o momento é de indignação mesmo. Não tiro seu direito seu fazer esta escolha, mas se você sistematicamente vota por raiva, procure tratar-se emocionalmente e buscar o necessário equilíbrio psicológico. Não é justo toda a sociedade pagar o preço elevado de escolhas erradas. Procure fazer o contrário, vote por amor a alguma causa. Se você procurar bem, sempre encontrará um bom motivo para votar em alguém. Pense no futuro e não no passado! O passado não muda mais. Pelo menos tente influenciar o futuro.
          Se você é dos que gostam sempre de estar do lado do vencedor, é um “Maria vai com as outras” e vota naquele que lhe parece que vai ganhar, você está jogando fora a oportunidade de fazer a diferença. O seu voto junto com o de muitos outros, podem mudar o seu futuro e destino da sua cidade. Procure influir com o seu voto no balizamento da administração. Não espere que as coisas aconteçam por obra do acaso. O acaso, tem mais probabilidade de gerar o caos e não o progresso. Você com um pouquinho de esforço pode engordar o percentual do voto consciente, pense nisto! Você tem um pouco de dificuldade de se apaixonar por uma causa. Gosta de abraçar a escolha dos outros. Escolha você mesmo. Não deixe os outros decidirem por ti! Use o seu direito de dar um voto cidadão!
          Pelo visto acima, consciência, elemento essencial à cidadania, é coisa ainda rara nos seres nos nossos cidadãos brasileiros. Daí porque considero que estamos ainda distantes da verdadeira democracia e que consciência e política são elementos que parecem não se juntam muito bem por aqui. Não é por acaso que grandes democracias pelo mundo afora vão melhores que nós. Entre outras causas, está que nestes locais se voto com mais consciência.
Temos que melhorar a educação neste país para formar sujeitos autodeterminados e que atuem de maneira consciente em suas vidas de cidadãos.

  

sábado, 11 de junho de 2016

Todos somos responsáveis por estimular a consciência crítica dos nossos cidadãos

          Considerações sobre a crise atual do nosso país
      Poucas pessoas tem paciência para ler textos grandes de opinião. Perdoem-me os impacientes, mas receio que a situação do país não poderá neste momento sofrer uma análise mínima sem que se tenha que discorrer várias laudas.
      Ninguém vive isolado e estou rodeado de várias pessoas, familiares, amigos, colegas de trabalho, pacientes e a grande maioria está perplexa e indignada com o momento atual da economia e da política do nosso país. Eu diria que a angústia está tomando conta do ânimo da nossa gente.
      Há tempos atrás tive militância política ativa. Hoje estou afastado, mas não indiferente. “O preço a ser pago pelos que se omitem e não gostam de política é ser governado pelos corruptos e pelos incompetentes”, disse alguém que não recordo o nome. Na minha juventude aprendi dos meus pais que o mais educado devia se calar. Hoje acho que deve ser assim, desde que o silêncio não signifique conivência nem omissão. Agora com a responsabilidade de escritor e da maturidade principalmente, estou escrevendo a pedido de muitas pessoas que estão “desassossegadas” com todo este bombardeio de informações e boatos que circulam de boca em boca, na imprensa e nas redes sociais. Na opinião delas tenho o necessário equilíbrio para escrever algo útil. Sou humilde o suficiente para não ter a presunção de que poderei contribuir com muita coisa. Por favor, um aviso para os que tiverem a paciência de ler, é só o meu ponto de vista, baseado na reflexão que fiz sobre as informações que possuo.
      Estamos completando cem anos do início da primeira guerra mundial que só ocorreu porque além dos países inicialmente envolvidos no conflito muitos líderes pelo mundo todo permitiram que acontecesse por falta de empenho em cortar o mal pela raiz. Com a segunda guerra foi a mesma coisa. Uma sucessão de equívocos lamentáveis!
      Vejo com preocupação muitas análises apaixonadas e tendenciosas, revanchismo e mesmo muitas pessoas irresponsavelmente torcendo pelo pior e outras ainda fazendo provocações. Para que se possa fazer uma análise mais próxima da realidade e é isto que precisamos, temos que nos afastar do viés ideológico. Para vocês terem uma ideia de como esta percepção ideológica e fora da realidade é muito perigosa, pois cega completamente as pessoas, coloco aqui o exemplo daquela jovem alemã encarregada de limpar as casas dos judeus levados aos campos de concentração e mortos pelo regime nazista. Ela sabia que os antigos habitantes das casas seriam mortos e, no entanto preparava as casas com muito amor, ajeitando os móveis, colocando vasinhos de flores nas janelas para receber os colonos alemães que ali viriam habitar. Esta moça, hoje uma senhora, com quase noventa anos, confessou que chorou muito quando Hitler perdeu a guerra, que viu acabar o seu mundo particular de sonhos e precisou ainda de dez anos, vejam bem, dez anos! Para enxergar a loucura e a insensatez de seu líder. Hoje não consegue entender como pode aceitar aquilo. O fanatismo é o sentimento humano que mais ajudou a matar pessoas, ainda mata e vai continuar matando, ou fazendo muitos estragos. Nem vamos entrar neste capítulo sangrento.
Portanto, para uma análise razoavelmente isenta, precisamos afastar a paixão, deixar de lado aquilo que gostaríamos que fosse, mas não é! E analisarmos somente os fatos. Contra fatos não há argumentos, já dizia meu saudoso pai. Aconteceram e continuam acontecendo fatos gravíssimos em nosso país, mas não estamos a perigo somente pelo que aconteceu de muito grave até aqui: carteis, mensalão, petrolão, mas sim pela falta de humildade dos nossos governantes em reconhecer os erros que foram cometidos na economia e na política. Precisamos de uma “presidenta” que olhe para a nação e não para o próprio umbigo e para o próprio partido. Os fatos mostram a presidente agindo somente nesta direção. Este é o nosso verdadeiro e principal problema.
O que está deixando a maioria da nossa população angustiada e desesperançada é uma percepção cada vez maior da falta de sintonia do governo com seu povo. O governo tenda fugir da responsabilidade. Como presidente da república até poderíamos entender que Dilma não soubesse do esquema na Petrobrás, mas como Presidente do conselho da estatal durante boa parte do tempo em que as coisas aconteceram é difícil acreditarmos que uma pessoa competente, inteligente, responsável não soubesse de nada. Então podemos concluir que no mínimo ela foi incompetente num grau inadmissível para quem quer governar o país. Este é um fato e há alguma outra forma razoável de interpretá-lo? Aí ela vai para a imprensa a poucos dias e diz que isto deveria ter sido investigado lá atrás, durante o período do presidente anterior a era Lula, o presidente Fernando Henrique. O PT na oposição queria CPI para tudo e foram muitas. Aqui vamos ser justos os papéis se inverteram: Quem antes queria CPI e esforçava-se para que elas não virassem pizzas, agora não quer, e boicota tudo. Já os que antes não queriam e boicotavam, agora botam a boca no trombone e fazem uma barulheira infernal.  Outro fato, nenhum partido no governo teve tanto tempo para investigar como este que já ocupa o poder a mais de 12 anos.
Eu acho que só os apaixonados pela ideologia no poder, acham muito natural passar por cima de um princípio jurídico básico para justificar os desmandos. A de que sempre houve corrupção e por isto estaria tudo justificado. A culpa de outros não é de forma nenhuma atenuante, nem justifica a nossa culpa. Ao usar este argumento, estas pessoas estão admitindo a corrupção como fato inevitável e nos passam a ideia de que ela irá continuar! Com isto não podemos concordar!
A maioria da população quer o fim da corrupção. Só é contra e acha inúmeras justificativas aqueles que se beneficiam dela, nem que seja só a gratificação emocional de ver o seu partido no poder. O que houve no passado não se pode mudar, mas queremos daqui para frente a garantia de que esta situação que está expoliando o Brasil não continue e de que haja punições e ressarcimentos. A maior punição é a retomada dos valores indevidamente conquistados.
Eu estudei um pouco a cartilha da propaganda nazista e identifiquei muitas regras sendo seguidas aqui. Deixo uma pergunta, alguém teria estudado esta cartilha pelo lado de cá do oceano Atlântico e achado alguma coisa útil? Desmoralizar adversários, através de busca ao passado e se nada for encontrado, usa-se até de má fé mesmo! Olha a tentativa forte e sistemática de tentar desmoralizar o sr. Joaquim Barbosa, relator do mensalão e para alguns forte candidato a presidência nas próximas eleições. Há também até mesmo algumas tentativas de desmoralizar o Juiz Moro do Paraná. São táticas condenáveis. Outras normas da cartilha nazista é embaralhar tudo, tentando fazer parecer que todos são “farinha do mesmo saco” e negar, negar e negar, refutando fatos incriminadores para confundir os mais incautos. Que cada um assuma, os seus erros e saiba também reconhecer os acertos dos demais. Vamos aqui ser justos, não é um único partido que está envolvido. Não é só o PT. É toda a estrutura de poder, PMDB, PP, etc. São vários partidos, empresários, e também uma boa parcela do congresso. Corrupção sempre houve! Provavelmente seja verdade, mas o recebimento de quantias enormes indevidas, de forma sistemática e continuada para financiar alguns partidos e as forças políticas no poder da república parece ser coisa de um pouco depois do ano 2000. E também seja dito, não é só na união que temos problemas de corrupção. Ela existe em muitos estados e municípios e em muitas outras empresas estatais.
 Para piorar ainda mais o nosso congresso nacional, também está voltado para seu umbigo e não está respondendo aos anseios da população. Ainda esta semana a Câmara Federal, decepcionou o povo brasileiro com a aprovação de mais passagens aéreas para as esposas dos deputados e aumento da verba de custeio dos legisladores. O que vocês acham meu povo, seria uma leviandade levantarmos a suspeita de que com estas medidas o atual presidente da câmara estaria pagando promessa a muitos de seus eleitores para a presidência da casa?  Há também a decepção com uma parcela do judiciário, basta ver o caso do juiz andando com o carro apreendido do réu Eike Batista.  Absurdo, inadmissível.
Os mais pacíficos cidadãos estão vendo que a única forma que os políticos ouvem é quando o povo vai para a rua. A ninguém interessa a desordem e o caos, mas o governo e mesmo o congresso não estão dando as respostas aos anseios da população. Será que é muito difícil perceber pelo menos o que o nosso povo não quer. De uma forma geral, é mais difícil saber o que se quer, mas sempre temos muito claro o que não se quer.
O país não quer a volta da inflação. Será que o governo fez o seu dever de casa para evita-la? Com a idade que tenho e como ex-funcionário de banco lembro muito bem da época da inflação que corroía as rendas e impossibilitava um planejamento de médio e longo prazo. Quem mais paga a conta da inflação são os mais pobres. Todos entendem a volta da inflação como uma coisa extremamente nociva para a sociedade. Seria uma das piores coisas a nos acontecer! Há aproximadamente 20 anos atrás a inflação no Brasil chegou a cerca de 3.000% ao ano. Temos muitos jovens que não se lembram da inflação, mas muitas pessoas tem isto bem vivo na memória. Não queremos de forma nenhuma que seja abandonada a meta da inflação de 4,5% ao ano.
Não queremos ver o governo subir impostos para resolver os seus problemas de caixa. Qualquer cidadão sabe que se estiver gastando fora do seu orçamento tem que reduzir gastos, ou a situação vai se tornar insustentável. A Presidente (escrevo assim porque é a grafia correta) deve fazer o que tem que ser feito, mesmo que não seja a promessa de campanha. Hoje no papel de gerente deste país, tem que tomar as medidas necessárias, mesmo que impopulares. O povo até compreende e está preparado para estas medidas. O que trás indignação é o governo não agir e a situação ir se deteriorando cada vez mais. Quanto contraste entre a situação que a então candidata apresentava em suas inserções de publicidade paga com dinheiro de origem duvidosa e a situação que hoje ela precisa administrar.
Não desejamos presentinhos como decretos lei, que criam leis contrárias a vontade do nosso povo. Chega de medidas, estatutos e falatório que nos dividem entre ricos e pobres, entre pretos, brancos e índios. Novamente olhando os fatos, alguns estatutos criados pelo governo, praticamente passam um atestado de desigualdade social. Somos iguais e, portanto, se apliquem as mesmas leis para todos os cidadãos. Os únicos que reconhecemos que necessitam de proteção especial são os portadores de necessidades especiais. Louvável a medida que criou cotas no trabalho, nos concursos e no ensino.
Outra situação que não desejamos é ver a política externa deste governo apoiando governos ditatoriais. Dá para perceber e isto é um fato muito preocupante, uma grande simpatia do atual governo do nosso país por aqueles governos que se perpetuam indefinidamente no poder: Venezuela, Bolívia, Equador, Cuba. Seria insano eu pensar que estes governos estejam sendo vistos com alguma inveja pelos nossos governantes? Diante da simpatia visível me parece um pensamento bastante lógico. Perdoem-me os que haverão de discordar da afirmação anterior! Não há nenhuma manifestação oficial do governo brasileiro sobre a situação da Venezuela que é gravíssima. O presidente Lula vinha surfando tranquilo em sua política externa, dizem que até sonhava em ser o secretário geral da ONU, até que se envolveu na crise da Guatemala e daí para frente deu uma perigosa guinada e perdeu prestígio nitidamente. Até o assessor jurídico do PT afirmou que na época a Guatemala estava cumprindo com sua constituição. E ainda mais, o nosso governo se recusava aceitar uma eleição democrática que ocorreu na Guatemala depois. Cada país tem suas leis e concordando ou não temos que aceita-las. Quando viajo a um país, sei que preciso me submeter as leis locais. Não há como ser de outra forma! Recentemente me parece ter havido inclusive o reconhecimento pessoal da presidente de que teria dado uma ajuda de 800 milhões de dólares a Cuba, além do acordo secreto que financiou grandes obras na ilha para ajuda-la a se tornar viável economicamente. Porque nós brasileiros não podemos saber o que é feito com o nosso dinheiro nestes empréstimos do BNDES no exterior. Qual a justificativa para isto? Talvez seja de que não há justificativa para tais empréstimos.  As pessoas podem ter as suas simpatias pessoais e suas convicções, mas não devem pagar por isso com o dinheiro dos outros, no caso o nosso dinheiro.
Ninguém de sã consciência deseja destituir o governo do poder, mas para isso é necessário que este mostre firmeza de atitude. O novo ministro da fazenda Joaquim Levi, tem credibilidade pessoal para começar a dar jeito na casa, mas é preciso que seja apoiado, coisa que parece que não tem acontecido. Inclusive o próprio partido no poder não vê este ministro com muita simpatia.
Presidente Dilma, não pense em si e no seu partido. Imagine que a senadora Marta Suplici já veio a público dizendo que o Ministro Mercadante é o futuro candidato da presidente Dilma para a sucessão daqui a quatro anos e que a disputa com o ex-presidente Lula já está em andamento. Presidente! Tenha a santa paciência! Esta é hora de pensar no país e não em sucessão presidencial. Isto é um fato e demonstra um apego ao poder que não dá para entender. Numa democracia é normal e saudável uma alternância no poder.
 A luta da presidente está se mostrando que não será fácil, agora que até alguns membros do seu partido estão se voltando contra ela, pois, segundo o Financial Times de Londres, a estão vendo como “intrusa e oportunista”. Com os escândalos da Petrobrás, o pessimismo do mercado diante do governo só aumenta.
      Fica o registro de que muitos brasileiros estavam dispostos a perdoar o aumento da inflação e do crescimento econômico baixo porque tinham seus empregos garantidos, mas que agora quando se depararem com grandes dificuldades de se manterem no mercado de trabalho, devido a retração da economia que deverá ter redução de 0,5% este ano, deverão engrossar o coro dos que puxam a popularidade presidencial para baixo. Há também um contingente grande de jovens que saíram da universidade graças ao aumento das oportunidades para o curso superior, criadas pelo governo do PT (fato muito positivo) e que agora se veem diante da frustração de não poderem atuar nas suas áreas de formação. Isto fará a popularidade do governo despencar ainda mais no curto e médio prazo.
      Presidente Dilma, o que esperamos é ação do governo para enfrentamento desta crise que já chegou e tende a agravar-se. Se forem necessárias muitas das medidas que a Sra. disse em campanha que o Aécio faria, se for para o bem do Brasil faça, tenha a humildade fazer, se for para o bem geral da nação. O povo até irá perdoá-la por isto, pois sentirá que trabalha pelo país. Coisa que não fica muito claro por enquanto. Dá para aceitar até que o preço dos combustíveis no Brasil já subiram e subirão ainda mais, enquanto estão baixando bastante no resto do mundo. O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso foi criticado duramente pelo seu partido pelos apagões durante o governo dele. O PT dizia que havia faltado planejamento. Agora no seu governo estamos até dispostos a aceitar como desculpa a falta de chuva mesmo, como azar (não existe precedente histórico de tanta falta de chuva por um período tão grande!), mas desejamos que a senhora aja em sintonia com os anseios da população.
      O povo brasileiro precisa ter serenidade e unir-se em torno de alguém que represente a esperança de novamente viver dias melhores. Se a nossa presidente, por limitações diversas, não representar esta esperança, será atropelada pela história, o que ninguém deseja. A nação precisa de um governo de maioria e para a maioria da população, porém é necessário ter um olhar especial, acolhedor e protetor das minorias. Eu mesmo me senti excluído quando ouvi a presidente dizendo que faria um governo para as mulheres, para os pobres e para os negros. E eu onde fico? Gostaria de ter ouvido que ela faria um governo para os aposentados também, pelo menos me incluiria em alguma coisa. Estes contribuíram a vida inteira e quando estão idosos e fragilizados e já não tem alternativa, são tratados com um aumento abaixo da inflação. Você que hoje não se preocupa com aposentadoria um dia, se tudo correr bem com sua saúde, chegará sua vez e então verá como é triste ser esquecido pelo governo do seu país, quando você mais precisa dele.
      Para finalizar um fato, gravíssimo. Vejam bem é um fato. Ficou evidenciada a submissão do congresso nacional ao executivo no episódio da derrubada do cumprimento da meta fiscal do ano passado para que a presidente se visse livre de não ter cumprido a lei orçamentária. Não que eu desejasse uma brecha legal para o impedimento da Presidente, mas pela gravidade do fato em si. Olhei os votos dos nossos deputados e senadores. Vi vários votos incoerentes entre o discurso e a prática, especialmente de um então deputado do PP que sempre veio aqui “roncar grosso”, falar mal do governo federal e que votou com o governo, sem nenhuma coerência e justificativa. Este fato pode ser tomado como um indício muito forte de negociatas no congresso para garantir a base aliada. Portanto o Congresso nacional, não está com esta bola toda. A imagem da Câmara e do senado está muito negativa. Não bastasse as passagens aéreas para as mulheres agora o presidente da câmara anuncia obras milionárias na casa, numa época que todos deveriam economizar. E agora na instalação da  3ª CPI da Petrobrás está foi instalada com o presidente e relator que foram os parlamentares que mais receberam doações das empresas da operação lava jato. Se é assim será total perda de tempo. absurdo total. Como disse agora a pouco um amigo: Raposa cuidando de galinheiro. Inadmissível! Está na hora dos nobres deputados e senadores também fazerem o dever de casa. Queremos um congresso responsável, independente e autodeterminado e não um congresso submisso aos caprichos do executivo. O povo deseja que sejam votadas as reformas necessárias ao país, independente de que partido ou deputado veio a boa ideia. Chega de marasmo e lentidão no congresso. Todos ali são bem pagos e bem assessorados para trabalhar.  O congresso tem grande parcela de culpa em toda esta situação do país.
      Vamos aguardar as manifestações que com certeza haverão de acontecer, mas que sejam ordeiras e pacíficas e sem infiltrações de radicais seja de que lado for. Acho que temos que protestar contra esta câmara dos deputados também, não só contra o executivo federal, pois os deputados estão passando dos limites! Se o governo tomar as medidas necessárias, vamos nos municiar de paciência que, segundo as previsões, dentro de dois anos voltaremos a crescer e tudo terminará bem.

Poluição de matérias tendenciosas nas redes sociais

Poluição de matérias tendenciosas nas redes sociais

Os repassadores de postagens tendenciosas prestam um desserviço ao país e a democracia...
            As redes sociais estão poluídas de postagens tendenciosas repassadas por desavisados internautas, apaixonados por determinadas causas, geralmente políticas. Repassam tudo o que for a favor ou contra esta causa. Estas pessoas tornaram-se conhecidas dos amigos no meio virtual e passam a ser até mal vistas por “encherem o saco” a toda a hora com postagens a favor ou contra o governo, Dilma e Lula; a favor ou contra o Aécio Neves, FHC, Serra e Alckimin, etc. Parece a clássica e eterna luta entre anjos e demônios.
            Só uma minoria ignora que estas postagens que vem de fontes desconhecidas atacando políticos, autoridades, jornalistas e a imprensa são gestadas e paridas, dentro de laboratórios organizados para tal finalidade para defender interesses escusos de partidos e organizações. Estas “oficinas de trabalho” monitoram a internet, refutam e distorcem informações, aumentam ou diminuem fatos. Semeiam inverdades e calúnias. São verdadeiros laboratórios do crime. Falando de maneira simples para que todos entendam, existem determinados locais, onde várias pessoas de forma coordenada, trabalham dia e noite para criar postagens e coloca-las na net de forma totalmente tendenciosa. Inclusive está para ser confirmada a possível ocorrência de que algumas dessas pessoas seriam assalariadas por dinheiro da operação lava jato.
            Pessoas desavisadas, geralmente fanáticos partidários, repassam de boa ou má fé estas postagens. Um conhecido escritor comenta que “estas pessoas auto enganadas são até mais eficientes na propagação de inverdades do que as que agem de má fé”. Uma pessoa cria uma matéria tendenciosa e uma rede de “cegos e adormecidos” que caem como um patinho, repassam estas matérias multiplicando milhares de vezes a matéria maliciosamente forjada, trazendo um prejuízo incalculável a democracia e a plena cidadania das pessoas.
            Temos um exemplo prático disto: Após as últimas manifestações de rua em que no mesmo dia e no dia seguinte surgiram várias postagens tentando desqualificar as manifestações em si ou tentando desqualificar as reinvindicações. Parece ter havido até manipulação de imagens, na tentativa de mostrar algo favorável a esta ou aquela causa. Até imagens plantadas teriam circulado na internet. Os laboratórios da manipulação passaram a noite trabalhando para apresentar aos incautos as suas criações.
            Respeito muito a opinião alheia, mas paciência tem limites. Há pessoas que beiram ao ridículo quando sistematicamente repassam este tipo de matérias. Um amigo já falecido seguidamente comentava que não se conformava que “Deus havia colocado um limite para a inteligência e o bom senso, mas não havia colocado limite para a burrice, a estupidez e a maldade humana”.
Eu acho positivo o repasse de informações vindas de fonte confiável, idônea que possam contribuir para esclarecer os fatos e o debate responsável dos problemas do país. Eu mesmo repasso algumas postagens de opinião de fontes conhecidas. Alguns dirigentes de países que levaram o mundo a guerras se utilizaram largamente destes métodos de “propaganda”, notadamente os regimes que mais prejudicaram a humanidade como o nazista na Alemanha, fascista na Itália e comunista na Rússia, cresceram e cegaram multidões que se fanatizaram e cometeram crimes hediondos contra seus próprios cidadãos, chegando ao extremo de algumas vezes as atrocidades serem contra familiares muito próximos. Já citei em outra postagem, o caso da jovem alemã que preparava as casas desocupadas por judeus presos e mortos em campos de concentração para receberem as famílias alemãs que ali viriam morar. Fazia tudo com muito carinho, colocando vasinhos de flores e ajeitando os móveis no lugar. Após o fim da guerra ainda levou dez anos para cair na realidade e perceber que seu líder era um louco seguido por uma multidão de cegos fanáticos que haviam sido habilidosamente manipulados de forma contínua durante muito tempo. Hoje fica a pergunta como os alemães não perceberam as loucuras de Adolf Hitler?

            O meu repúdio a estes que praticam continuamente nas redes sociais e na imprensa de forma tendenciosa a execração moral de opositores políticos. Isto é método de propaganda utilizado pelos nazifascistas: desmoralizar permanentemente a qualquer custo os opositores. A humanidade já sabe no que isto resultou. Penso que nas próximas eleições merecemos votar, em projetos claros para o país e não que sejamos levados a votar por ações altamente reprováveis deste tipo de conduta. Nós todos somos responsáveis por mudar esta situação. Fique de olho! 

quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

Esquerda? Direita? Quê Bixos São Estes?

Esquerda? Direita? O que Significa Isto?

Cada vez que temos uma eleição no Brasil e em quase todos os lugares do mundo, ouvimos falar em partidos de direita e partidos de esquerda e muitos colocam esta disputa como uma luta do bem contra o mal. Mas afinal de contas, hoje, o que significa ter posicionamento ideológico de esquerda ou direita? É fácil ter uma definição clara do conjunto de ideias que representam esta ou aquela posição?
Acredito que haja em nosso meio uma ignorância do que hoje significam realmente estes dois termos e, só para deixarmos bem explícita esta confusão de conceitos, em nossa última eleição presidencial tivemos os três principais candidatos mais votados todos da esquerda: Dilma, Aécio Neves e Marina Silva. No segundo turno era uma disputa apenas dentro da esquerda: Dilma e Aécio. Os menos informados falavam nas redes sociais de uma disputa entre a esquerda e a direita e as agressões foram muitas em nome das posições ideológicas dos candidatos. Será surpresa para muitos que o PSDB, em seu nome e no seu estatuto é a rigor um partido socialista e, portanto, de esquerda. Então, o que tivemos no segundo turno da última eleição presidencial brasileira, foi uma disputa de forças que não envolvia a direita e a esquerda. Na verdade são poucos os políticos que assumem o discurso da direita. Será que teremos que ver um candidato da direita para que os nossos eleitores compreendam a diferença? Quem sabe na próxima eleição presidencial, o Bolsonaro não sai candidato?
Como se pode constatar do exposto acima, para a grande maioria dos brasileiros não está nada claro estas definições de direita ou esquerda. Segundo uma pesquisa comentada no blog: http://www.veja.com/felipemourabrasil, apenas nove por cento dos brasileiros se declararam de “esquerda” e o mesmo percentual se declarou de “direita”. O percentual que se declarou de “centro” foi mais baixo ainda, algo em torno de apenas quatro por cento.
Este ano estou novamente me propondo a escrever, contribuindo para com meus concidadãos, com matérias sobre política e cidadania. Entendo que todos são responsáveis por formar a consciência política do nosso povo. O conceito de direita e esquerda é básico na política, mas a pesquisa e as nossas últimas eleições estão demonstrando que o brasileiro entende pouco destes conceitos, de forma que vou começar analisando a origem dos termos direita e esquerda.
Historicamente sabemos que durante as assembleias do século dezoito (1789-1799), na primeira fase da Revolução Francesa, a burguesia procurava mudanças, com o apoio da população mais pobre, tentava diminuir os poderes da nobreza e do clero.  
Com a instalação da Assembleia Nacional Constituinte montada para criar a nova Constituição, as camadas mais ricas se juntaram a nobreza e ao clero e preferiram não se misturar aos plebeus, sentando separadas, do lado direito do presidente. A ala dos constituintes que sentavam do lado esquerdo, a dos plebeus, ficou associada às mudanças sociais e à luta pelos direitos dos trabalhadores. A ala dos constituintes do lado direito ficou ligada ao conservadorismo e à elite. Se simplesmente os mais ricos, a nobreza e o clero tivessem escolhido sentar do lado esquerdo, hoje os conceitos de direita e esquerda seriam invertidos. Portanto, tudo começou com o lado que os representantes sentavam em relação à mesa dos trabalhos e os interesses que eles representavam.
Até determinada fase histórica foi simples, portanto, definir a ideologia da esquerda e da direita. Dentro dessa visão histórica, ser de esquerda presumiria a luta por mudanças, a defesa pelos direitos dos trabalhadores e das populações mais pobres e minorias, com mais preocupação com o coletivo e a participação popular nas decisões do governo. Seria a ala das mudanças. Já a direita teria uma visão menos progressista, ligada a um pensamento conservador, que busca manter o poder vigente e promover o bem estar individual. É a ala da lei e da ordem.
Em nossa visão, hoje vivemos um novo cenário político e neste novo contexto, simplesmente as palavras “esquerda” e “direita” parecem não dar conta da diversidade política do nosso tempo. Isso não quer dizer que a divisão tenha perdido totalmente o sentido. O que temos que ter em mente é que as expressões “esquerda” e “direita” não definem conceitos imutáveis. Os conceitos são dinâmicos e podem ter diversos significados, conforme a fase histórica e suas diversas situações. Segundo o blog, http://www.veja.com/felipemourabrasil, citando o pensamento de Bobbio, expresso no livro "Direita e Esquerda - Razões e Significados de uma Distinção Política, “os contrastes existem, mas não são mais os mesmos do tempo em que nasceu a distinção". 
As expressões direita e esquerda, entendidas da forma antiga, hoje, por exemplo, seriam de esquerda os partidos que se colocam contra o regime vigente (oposição) e os defensores do governo e do continuismo (situação) seriam a ala “de direita”. Portando, segundo estes conceitos de direita e esquerda, no momento atual do Brasil, o PT defendendo a situação atual e a sua continuidade, seria a direita e os partidos de oposição, bradando por mudanças (PSDB, DEM, etc.) seriam a esquerda, isto na visão da antiga assembleia francesa da época de Napoleão.
Hoje, usar apenas a expressão “esquerda” ou “direita”, na nossa visão, é uma forma simplista de conceituar correntes de opinião muito diversificadas e que não traz mais no seu bojo, tudo o que esta corrente pode representar. Além do que, todas as correntes que vão da esquerda para a direita, desde os extremos, vão passando por um leque grande de posicionamentos. Com o tempo, outras divisões apareceram dentro de cada uma dessas ideologias.
Segundo vários autores, essas classificações estariam divididas no que podemos chamar de uma “régua” ideológica.  Vejamos o que diz Felipe Moura Brasil   em seu blog: disponível em: http://www.veja.com/felipemourabrasil:

EXTREMA-ESQUERDA | ESQUERDA | CENTRO-ESQUERDA | CENTRO | CENTRO-DIREITA | DIREITA | EXTREMA-DIREITA Há ainda posição de "centro". Esse pensamento consegue defender o capitalismo sem deixar de se preocupar com o lado social. Em teoria, a política de centro prega mais tolerância e equilíbrio na sociedade. No entanto, ela pode estar mais alinhada com a política de esquerda ou de direita. A origem desse termo vem da Roma Antiga, que o descreve na frase: "In mediun itos" (a virtude está no meio).
A política de centro também pode ser chamada de "terceira via", que idealmente se apresenta não como uma forma de compromisso entre esquerda e direita, mas como uma superação simultânea de uma e de outra.

Vejo também confuso este cenário, quando podemos constatar que em determinados momentos da história, ambas as ideologias, direita e esquerda assumiram posturas radicais e, nesta posição, tiveram efeitos e atitudes muito parecidas, como a interferência direta do Estado na vida da população, uso de violência e censura para contra opositores e a manutenção de um mesmo governo ou liderança no poder. Ditaduras são ditaduras, sejam da esquerda ou da direita, sempre com várias ações muito semelhantes. Não há ditadura boa, seja de que lado for, vamos deixar bem claro isto. Na eterna luta Esquerda x Direita, as pessoas de esquerda só acusam os crimes das ditaduras de direita. O pessoal da direita acusa os crimes da esquerda. Os assassinatos de Pinochet (direita) no Chile e os assassinatos (cotas de eliminação) na antiga União Soviética (esquerda), em última análise são os mesmos e merecem o mesmo julgamento. Sem essa de pensar que os fins, lavam com água benta o sangue derramado do assassinato dos adversários políticos.
Mais um exemplo da confusão na cabeça dos brasileiros é o exemplo da figura do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, um socialista, que fez toda a carreira política como um homem de esquerda, tanto que só não foi para o PT, pois, segundo algumas fontes, queria outro nome para o novo partido, que fosse mais abrangente. No entanto nas redes sociais aparece sendo satanizado pelo pessoal que se diz da esquerda como se fosse uma figura da extrema direita. Também José Serra, homem de esquerda, ex-presidente da União Nacional de Estudantes que foi exilado político do regime militar, sofre o mesmo tratamento.
          Agora vamos aprofundar um pouco mais o que temos de informações sobre as duas correntes. Transcrevo o texto do Blog: http://www.veja.com/felipemourabrasil:
          (...) Ao longo do século 20, parte do pensamento de esquerda foi associada a bases ideológicas como marxismo, socialismo, anarquismo, desenvolvimentismo e nacionalismo anti-imperialista. . 
O mesmo período viu florescer Estados de ideologias totalitárias como o nazismo (1933-1945), fascismo (1922-1943), franquismo (1939-1975) e salazarismo (1926-1974), que muitas vezes se apropriaram de discursos até mesmo mais da esquerda do que da direita. 
Outro tema fundamental para as duas correntes é a visão sobre a economia. Os de esquerda pregam uma economia solidária, com maior distribuição de renda. O valor está no coletivo e no estado grande e poderoso. Os de direita seriam associados ao liberalismo, doutrina que na economia pode indicar os que procuram manter a livre iniciativa de mercado e os direitos à propriedade particular e a valorização do indivíduo. Mas isso não significa que um governo de direita não possa ter uma influência forte no Estado, como aconteceu na Ditadura. Em regimes não-democráticos, a direita é associada a um controle total do Estado. 
O termo neoliberalismo surgiu a partir dos anos 1980, associados aos governos de Ronald Reagan e Margareth Thatcher, que devido à crise econômica do petróleo, privatizaram muitas empresas públicas e cortaram gastos sociais para atingir um equilíbrio fiscal. Era o fim do chamado Estado de Bem-Estar Social e o começo do Estado Mínimo, com gastos enxutos. 
Para a esquerda, o neoliberalismo é associado à direita e teria como consequências a privatização de bens comuns e espaços públicos, a flexibilização de direitos conquistados e a desregulação e liberalização em nome do livre mercado, o que poderia gerar mais desigualdades sociais. 
O liberalismo não significa necessariamente conservadorismo moral. Na raiz, o adjetivo liberal é associado à pessoa que tem ideias e uma atitude aberta ou tolerante, que pode incluir a defensa de liberdades civis e direitos humanos. Já o conservador seria aquele com um pensamento tradicional. Na política, o conservadorismo busca manter o sistema político existente, que seria oposto ao progressismo. Hoje o PT em nosso país se enquadraria em um partido conservador, pois se opõe a mudanças e quer manter o status vigente. Quer ter hegemonia no poder. E a oposição seria progressista, exigindo mudanças. 
Direita e esquerda também têm a ver com questões morais. Avanços na legislação em direitos civis e temas como aborto, casamento gay e legalização das drogas são vistas como bandeiras da esquerda, com a direita assumindo a defesa da família tradicional. Nos Estados Unidos, muitos eleitores se identificam com a chamada direita cristã, que defendem a interferência da religião no Estado.
No entanto, vale destacar que hoje muitos membros de partidos tidos como centro-direita defendem tais bandeiras da esquerda, exceto nos partidos de extrema-direita (como podemos observar na Europa), que são associados ao patriotismo, com discurso forte contra a imigração (xenofobia). 

Temos a forte convicção de que, de esquerda ou direita, o eleitor tem direito de escolher conscientemente e para isto, nos dias atuais, é absolutamente necessário que os partidos e os candidatos detalhem amplamente os seus planos de governo. É preciso ter as minúcias dos programas, pois como vimos, em determinados momentos uma corrente pode vir a adotar atitudes típicas da corrente adversária.
O fundamental é que se viva a normalidade democrática. Segundo, Olavo de Carvalho em um trecho do artigo Democracia normal e patológica” , publicado no dia 5 de outubro de 2011 no Diário do Comércio, normalidade democrática é:
            (...) a concorrência efetiva, livre, aberta, legal e ordenada de duas ideologias que pretendem representar os melhores interesses da população: de um lado, a “esquerda”, que favorece o controle estatal da economia e a interferência ativa do governo em todos os setores da vida social, colocando o ideal igualitário acima de outras considerações de ordem moral, cultural, patriótica ou religiosa. De outro, a “direita”, que favorece a liberdade de mercado, defende os direitos individuais e os poderes sociais intermediários contra a intervenção do Estado e coloca o patriotismo e os valores religiosos e culturais tradicionais acima de quaisquer projetos de reforma da sociedade.
Representadas por dois ou mais partidos e amparadas nos seus respectivos mentores intelectuais e órgãos de mídia, essas forças se alternam no governo conforme as favoreça o resultado de eleições livres e periódicas, de modo que os sucessos e fracassos de cada uma durante sua passagem pelo poder sejam mutuamente compensados e tudo concorra, no fim das contas, para o benefício da população.
Entre a esquerda e a direita estende-se toda uma zona indecisa de mesclagens e transigências, que podem assumir a forma de partidos menores independentes ou consolidarem-se como política permanente de concessões mútuas entre as duas facções maiores. É o “centro”, que se define precisamente por não ser nada além da própria forma geral do sistema indevidamente transmutada às vezes em arremedo de facção política, como se numa partida de futebol o manual de instruções pretendesse ser um terceiro time em campo.
Nas beiradas do quadro legítimo, florescendo em zonas fronteiriças entre a política e o crime, há os “extremismos” de parte a parte: a extrema esquerda prega a submissão integral da sociedade a uma ideologia revolucionária personificada num Partido-Estado, a extinção completa dos valores morais e religiosos tradicionais, o igualitarismo forçado por meio da intervenção fiscal, judiciária e policial. A extrema direita propõe a criminalização de toda a esquerda, a imposição da uniformidade moral e religiosa sob a bandeira de valores tradicionais, a transmutação de toda a sociedade numa militância patriótica obediente e disciplinada.
Não é o apelo à violência que define, ostensivamente e em primeira instância, os dois extremismos: tanto um quanto o outro admitem alternar os meios violentos e pacíficos de luta conforme as exigências do momento, submetendo a frias considerações de mera oportunidade, com notável amoralismo e não sem uma ponta de orgulho maquiavélico, a escolha entre o morticínio e a sedução. Isso permite que forjem alianças, alternadamente ou ao mesmo tempo, com gangues de delinqüentes e com os partidos legítimos, às vezes desfrutando gostosamente de uma espécie de direito ao crime.
Não é uma coincidência que, quando sobem ao poder ou se apropriam de uma parte dele, os dois favoreçam igualmente uma economia de intervenção estatista. Isto não se deve ao slogan de que “os extremos se tocam”, mas à simples razão de que nenhuma política de transformação forçada da sociedade se pode realizar sem o controle estatal da atividade econômica, pouco importando que seja imposto em nome do igualitarismo ou do nacionalismo, do futurismo utópico ou do tradicionalismo mais obstinado. Por essa razão, ambos os extremismos são sempre inimigos da direita, mas, da esquerda, só de vez em quando.
A extrema esquerda só se distingue da esquerda por uma questão de grau (ou de pressa relativa), pois ambas visam em última instância ao mesmo objetivo. Já a extrema direita e a direita, mesmo quando seus discursos convergem no tópico dos valores morais ou do anti-esquerdismo programático, acabam sempre se revelando incompatíveis em essência: é materialmente impossível praticar ao mesmo tempo a liberdade de mercado e o controle estatal da economia, a preservação dos direitos individuais e a militarização da sociedade.
Isso é uma vantagem permanente a favor da esquerda: alianças transnacionais da esquerda com a extrema esquerda sempre existiram, como a Internacional Comunista, o Front Popular da França e, hoje, o Foro de São Paulo. Uma “internacional de direita” é uma impossibilidade pura e simples. Essa desvantagem da direita é compensada no campo econômico, em parte, pela inviabilidade intrínseca do estatismo integral, que obriga a esquerda a fazer periódicas concessões ao capitalismo.
Embora essas noções sejam óbvias e facilmente comprováveis pela observação do que se passa no mundo, você não pode adquiri-las em nenhuma universidade brasileira.

Agora que já temos um embasamento mínimo sobre esquerda e direita, vamos convir que colocar durante as eleições esta relação como uma luta de anjos e demônios, não tem nada a ver com um processo responsável e cidadão de escolha dos governantes. Dá para se perceber que em política nenhuma corrente é pura, imaculada. Todos são um misto de anjinhos e diabinhos, o que varia é a dose!
Em minha opinião, nenhum dos lados é essencialmente bom ou ruim. Quando existem dois lados e um destacadamente se mostra melhor, o outro lado implode e desaparece. E estes dois lados para nossa comprovação vem convivendo e alternando-se no poder em todas as democracias, portanto nenhum é hegemônico! Por que a esquerda, de tempos em tempos, tem que fazer concessões para a direita na economia, como está acontecendo agora no Brasil? Porque a direita tem que fazer concessões a esquerda na área social? Não seria a alternância no poder uma forma de equilíbrio e garantia da democracia, da tolerância e da paz social? Pensem nisso aqueles que imaginam que se uma corrente sair e entrar outra, todas as conquistas vão se perder! Será que as conquistas não seriam até eventualmente aperfeiçoadas com algumas reformatações? E notem bem, depois que as conquistas acontecem nada volta para estaca zero. Sempre partimos de onde estamos! E para finalizar uma expressão bem chula: Quanto alguém vorazmente está mamando durante muitos anos nas tetas do governo, tem que desmamar enquanto é tempo, antes que vire um monstro quase invencível, difícil de ser domado! Deu para perceber que entendo a alternância do poder, de tempos em tempos, como muito salutar a democracia e que é justamente estes contrapontos entre as correntes que moraliza, aperfeiçoa a política e a administração pública.

Alegria, 20 de janeiro de 2016

Orlando Vanin Trage

                                            Cirurgião-dentista e escritor