segunda-feira, 18 de julho de 2016

Combinação catastrófica: eleições sem candidatos com plano de governo e eleitores sem consciência na hora do voto


Faltam candidatos com planos de governo em sintonia com a realidade local e com a população. E falta também consciência da maioria dos eleitores na hora do voto. É muito temerário esperar bons resultados de uma conjugação assim.   
Os nossos partidos políticos  não são e nunca foram organizações de interesse público, mas sim de interesse privado, já afirmava VIANA, Oliveira, em sua obra Populações meridionais do Brasil, Rio de janeiro, 1952. No meu entendimento a afirmação continua muito verdadeira mais de sessenta anos depois, sendo que os partidos em sua grande maioria representam interesses particulares de pessoas ou de grupos. Há indícios de que neste país já se criaram muitos municípios e alguns estados para atender interesses políticos de alguns.
Estamos mais uma vez na véspera de eleições. Não vejo em nossos municípios os partidos realizando estudos, fazendo diagnóstico de problemas importantes, realizando planejamento estratégico, conversando com a população para que possam, durante a curta campanha que virá, apresentar as suas propostas de como, se eleitos, viriam a administrar municípios combalidos financeiramente pela situação econômica do país e também pela má gestão crônica dos recursos públicos. Todos sabem que sem planejamento não chegamos a contento a lugar nenhum.
Por outro lado temos o problema da falta do voto consciente. Teriam razão políticos responsáveis e competentes em não perder seu tempo planejando e apresentando a população seus planos de governo, quando a população não leva isto em consideração na hora do voto? Eu entendo que mesmo com um percentual baixíssimo de voto consciente, os políticos deveriam fazer o dever de casa, conversar com a população e com o conjunto da sociedade para fazer um plano de governo em sintonia com a realidade e os reais anseios da população local.
    
Acho que a nossa sociedade e a nossa democracia não vem bem. Como cidadão procuro fazer a minha parte para melhorar o meu município, o meu estado, o meu país e até mesmo o nosso planeta. Teremos eleições em todos os municípios brasileiros. Sabendo da importância que tem o voto para balizar os rumos de uma administração, é o momento oportuno para que você aí, com os seus próprios botões, reflita e admita para você mesmo (não é preciso revelar a ninguém a conclusão a que você chegar) que tipo de voto você pretende dar nesta eleição? Reflita sinceramente. É muito importante! Há certas coisas acontecendo que não dá para colocar a culpa nos outros, é preciso fazer o “mea culpa”.
Você pretende decidir seu voto como?

          1º - Pretende dar um voto consciente?
          2º - Será um voto partidário?
          3º - Será um voto de interesse pessoal?
          4º - Vai votar coagido por uma ameaça?
          5º - Vai realizar voto de protesto?
          6º - Pretende votar em quem acha que vai vencer a eleição?

          O percentual do voto consciente varia de lugar para lugar, porém em geral, segundo alguns analistas de marketing político, é menos de 10% dos votos do eleitorado, chegando em algumas cidades a pouco significativa cifra de 3%, portanto uma estatística muito preocupante para a democracia, pois este deveria ser o voto que deve decidir uma eleição. Sabemos que o tal voto consciente advém do grupo de eleitores considerados politizados, verdadeiramente cidadãos auto-suficientes que analisam criticamente cada candidato antes de definir em quem votar. Com o percentual citado acima tão baixo é realmente de deixar preocupados os cidadãos responsáveis, pois o que decide a eleição são fatores que não tem nada a ver com o bem comum e a qualidade da gestão. Os candidatos vencedores elogiam o tal voto consciente atribuindo a eles as suas vitórias, já os candidatos derrotados lamentam a sua falta, atribuindo a isto a derrota. 
Levando-se em consideração a atual conjuntura política vivenciada em nossa sociedade, já não se está exigindo muito dos eleitores e políticos, sendo admitidos como conscientes aqueles que simplesmente não aderem ao tão comentado jogo de compra e venda de votos. O pensamento também é corroborado por muitos cidadãos e alguns políticos, para quem, ser consciente se reduz apenas a essa postura de não vender e não comprar o voto. E o que dizer daqueles que afirmam participar do verdadeiro banco de negociações cuja mercadoria é o voto, porém de maneira “inteligente”, como costumam dizer, recebem de um ou mais candidatos e acabam votando em outro de quem não receberam quantia alguma pelo voto? Pelo que deu para se perceber, informalmente, esse contingente de eleitores cresceu ultimamente, o que, de certo modo, justifica os casos de candidaturas em que foram gastas quantias elevadas, mas que não lograram êxito eleitoral. Vejam, portanto, que voto realmente consciente é um voto raro.
Parabéns se você se encaixar dentro desta categoria de voto! Você é verdadeiramente um cidadão que presta bons serviços ao nosso país. Parabéns! Quando chegarmos aos 50% de votos conscientes, teremos com certeza outra realidade.
          Se você será um voto partidário, merece respeito, pois é importante que tenhamos partidos fortes e a fidelidade é uma coisa bonita, porém um voto meramente partidário em algum momento pode se transformar em um voto “burro”. Aproximadamente em torno de 20% de todos os votos são votos partidários. No fundo é um voto cego, sem análise alguma do candidato: É do meu partido é bom! Pensa este tipo de eleitor!. Será que o seu partido em todas as eleições sempre teve o melhor candidato? É um voto que poderá, às vezes, ser meio inconsequente, mas não deixa de ser um voto digno e que merece o respeito. Você provavelmente é um pouco fanático. Porém é bom sonhar e acreditar nos sonhos. A fé é que move o mundo!
          Se você pensa no seu interesse para votar,  você faz parte de uma triste estatística de um número considerável de pessoas “espertas”. Se você vende a sua dignidade, o futuro do seu município, o futuro dos seus filhos, o que podemos dizer a uma pessoa assim? Dignidade e futuro dos nossos filhos não tem preço que pague. O eleito deve ter compromisso com você por todo o tempo do mandato. Se ele já pagou o seu voto, o compromisso dele no contrato que implicitamente fez com você acabou por aí. E então você terá de esperar mais quatro anos por novas migalhas, advinda do leilão do seu voto. E assim vai perpetuando a pobreza, o atraso e a ignorância! É de se lamentar muito... Tende estudar e educar-se. Eduque seus filhos! Acredito que seja a única coisa que possa mudar esta realidade: Educação, educação!
          Se você vota “no cabresto”, oficialmente chamado de voto “cabalado”, isto é aquele voto em que você votou pressionado por cabo eleitoral ou candidato é de se lamentar que não tenham o mínimo respeito por você, pela sua liberdade, pela sua capacidade de pensar e decidir por vontade própria. Tiram de você o direito de “ser dono do prório nariz”! Você foi roubado em sua dignidade de cidadão. Assaltaram você e roubaram de você uma coisa valiosa: o seu voto. Dá próxima vez proteja-se desses marginais assaltantes. A cabine de votação garante a você o direito a privacidade e ao sigilo do voto. Se for preciso recorra às autoridades, garanta o seu direito de cidadão. Vote de acordo com a sua consciência. Denuncie a pressão.
          Se você vai votar por protesto, se vota por raiva, uma vez passa! Até porque o momento é de indignação mesmo. Não tiro seu direito seu fazer esta escolha, mas se você sistematicamente vota por raiva, procure tratar-se emocionalmente e buscar o necessário equilíbrio psicológico. Não é justo toda a sociedade pagar o preço elevado de escolhas erradas. Procure fazer o contrário, vote por amor a alguma causa. Se você procurar bem, sempre encontrará um bom motivo para votar em alguém. Pense no futuro e não no passado! O passado não muda mais. Pelo menos tente influenciar o futuro.
          Se você é dos que gostam sempre de estar do lado do vencedor, é um “Maria vai com as outras” e vota naquele que lhe parece que vai ganhar, você está jogando fora a oportunidade de fazer a diferença. O seu voto junto com o de muitos outros, podem mudar o seu futuro e destino da sua cidade. Procure influir com o seu voto no balizamento da administração. Não espere que as coisas aconteçam por obra do acaso. O acaso, tem mais probabilidade de gerar o caos e não o progresso. Você com um pouquinho de esforço pode engordar o percentual do voto consciente, pense nisto! Você tem um pouco de dificuldade de se apaixonar por uma causa. Gosta de abraçar a escolha dos outros. Escolha você mesmo. Não deixe os outros decidirem por ti! Use o seu direito de dar um voto cidadão!
          Pelo visto acima, consciência, elemento essencial à cidadania, é coisa ainda rara nos seres nos nossos cidadãos brasileiros. Daí porque considero que estamos ainda distantes da verdadeira democracia e que consciência e política são elementos que parecem não se juntam muito bem por aqui. Não é por acaso que grandes democracias pelo mundo afora vão melhores que nós. Entre outras causas, está que nestes locais se voto com mais consciência.
Temos que melhorar a educação neste país para formar sujeitos autodeterminados e que atuem de maneira consciente em suas vidas de cidadãos.