Faltam candidatos
com planos de governo em sintonia com a realidade local e com a população. E
falta também consciência da maioria dos eleitores na hora do voto. É muito
temerário esperar bons resultados de uma conjugação assim.
Os nossos partidos políticos não
são e nunca foram organizações de interesse público, mas sim de interesse privado,
já afirmava
VIANA, Oliveira, em sua obra Populações
meridionais do Brasil, Rio de janeiro, 1952. No meu entendimento a afirmação continua muito
verdadeira mais de sessenta anos depois, sendo que os partidos em sua grande
maioria representam interesses particulares de pessoas ou de grupos. Há indícios de que neste país já se criaram muitos municípios e alguns estados para atender
interesses políticos de alguns.
Estamos
mais uma vez na véspera de eleições. Não vejo em nossos municípios os partidos
realizando estudos, fazendo diagnóstico de problemas importantes, realizando planejamento
estratégico, conversando com a população para que possam, durante a curta
campanha que virá, apresentar as suas propostas de como, se eleitos, viriam a administrar
municípios combalidos financeiramente pela situação econômica do país e também
pela má gestão crônica dos recursos públicos. Todos sabem que sem planejamento
não chegamos a contento a lugar nenhum.
Por
outro lado temos o problema da falta do voto consciente. Teriam razão políticos
responsáveis e competentes em não perder seu tempo planejando e apresentando a
população seus planos de governo, quando a população não leva isto em
consideração na hora do voto? Eu entendo que mesmo com um percentual baixíssimo
de voto consciente, os políticos deveriam fazer o dever de casa, conversar com
a população e com o conjunto da sociedade para fazer um plano de governo em
sintonia com a realidade e os reais anseios da população local.
Acho que a nossa sociedade e a
nossa democracia não vem bem. Como cidadão procuro fazer a minha parte para
melhorar o meu município, o meu estado, o meu país e até mesmo o nosso planeta.
Teremos eleições em todos os municípios brasileiros. Sabendo da importância que
tem o voto para balizar os rumos de uma administração, é o momento oportuno
para que você aí, com os seus próprios botões, reflita e admita para você mesmo
(não é preciso revelar a ninguém a conclusão a que você chegar) que tipo de
voto você pretende dar nesta eleição? Reflita sinceramente. É muito importante!
Há certas coisas acontecendo que não dá para colocar a culpa nos outros, é
preciso fazer o “mea culpa”.
Você pretende decidir seu voto
como?
1º - Pretende dar um voto consciente?
2º - Será um voto partidário?
3º - Será um voto de interesse pessoal?
4º - Vai votar coagido por uma ameaça?
5º - Vai realizar voto de protesto?
6º - Pretende votar em quem acha que vai
vencer a eleição?
O percentual do voto consciente varia
de lugar para lugar, porém em geral, segundo alguns analistas de marketing
político, é menos de 10% dos votos do eleitorado, chegando em algumas cidades a
pouco significativa cifra de 3%, portanto uma estatística muito preocupante
para a democracia, pois este deveria ser o voto que deve decidir uma eleição. Sabemos que o tal voto consciente
advém do grupo de eleitores considerados politizados, verdadeiramente cidadãos
auto-suficientes que analisam criticamente cada candidato antes de definir em
quem votar. Com o percentual citado acima tão baixo é realmente de deixar
preocupados os cidadãos responsáveis, pois o que decide a eleição são fatores
que não tem nada a ver com o bem comum e a qualidade da gestão. Os candidatos
vencedores elogiam o tal voto consciente atribuindo a eles as suas vitórias, já
os candidatos derrotados lamentam a sua falta, atribuindo a isto a derrota.
Levando-se em consideração a
atual conjuntura política vivenciada em nossa sociedade, já não se está
exigindo muito dos eleitores e políticos, sendo admitidos como conscientes
aqueles que simplesmente não aderem ao tão comentado jogo de compra e venda de
votos. O pensamento também é corroborado por muitos cidadãos e alguns
políticos, para quem, ser consciente se reduz apenas a essa postura de não
vender e não comprar o voto. E o que dizer daqueles que afirmam participar do
verdadeiro banco de negociações cuja mercadoria é o voto, porém de maneira
“inteligente”, como costumam dizer, recebem de um ou mais candidatos e acabam
votando em outro de quem não receberam quantia alguma pelo voto? Pelo que deu
para se perceber, informalmente, esse contingente de eleitores cresceu
ultimamente, o que, de certo modo, justifica os casos de candidaturas em que
foram gastas quantias elevadas, mas que não lograram êxito eleitoral. Vejam,
portanto, que voto realmente consciente é um voto raro.
Parabéns se você se encaixar
dentro desta categoria de voto! Você é verdadeiramente um cidadão que presta
bons serviços ao nosso país. Parabéns! Quando chegarmos aos 50% de votos
conscientes, teremos com certeza outra realidade.
Se você será um voto partidário,
merece respeito, pois é importante que tenhamos partidos fortes e a fidelidade
é uma coisa bonita, porém um voto meramente partidário em algum momento pode se
transformar em um voto “burro”. Aproximadamente em torno de 20% de todos os
votos são votos partidários. No fundo é um voto cego, sem análise alguma do candidato:
É do meu partido é bom! Pensa este tipo de eleitor!. Será que o seu partido em
todas as eleições sempre teve o melhor candidato? É um voto que poderá, às
vezes, ser meio inconsequente, mas não deixa de ser um voto digno e que merece
o respeito. Você provavelmente é um pouco fanático. Porém é bom sonhar e
acreditar nos sonhos. A fé é que move o mundo!
Se você pensa no seu interesse para
votar, você faz parte de uma triste
estatística de um número considerável de pessoas “espertas”. Se você vende a
sua dignidade, o futuro do seu município, o futuro dos seus filhos, o que
podemos dizer a uma pessoa assim? Dignidade e futuro dos nossos filhos não tem
preço que pague. O eleito deve ter compromisso com você por todo o tempo do
mandato. Se ele já pagou o seu voto, o compromisso dele no contrato que
implicitamente fez com você acabou por aí. E então você terá de esperar mais
quatro anos por novas migalhas, advinda do leilão do seu voto. E assim vai
perpetuando a pobreza, o atraso e a ignorância! É de se lamentar muito... Tende
estudar e educar-se. Eduque seus filhos! Acredito que seja a única coisa que
possa mudar esta realidade: Educação, educação!
Se você vota “no cabresto”,
oficialmente chamado de voto “cabalado”, isto é aquele voto em que você votou
pressionado por cabo eleitoral ou candidato é de se lamentar que não tenham o
mínimo respeito por você, pela sua liberdade, pela sua capacidade de pensar e
decidir por vontade própria. Tiram de você o direito de “ser dono do prório
nariz”! Você foi roubado em sua dignidade de cidadão. Assaltaram você e
roubaram de você uma coisa valiosa: o seu voto. Dá próxima vez proteja-se
desses marginais assaltantes. A cabine de votação garante a você o direito a
privacidade e ao sigilo do voto. Se for preciso recorra às autoridades, garanta
o seu direito de cidadão. Vote de acordo com a sua consciência. Denuncie a
pressão.
Se você vai votar por protesto, se vota
por raiva, uma vez passa! Até porque o momento é de indignação mesmo. Não tiro
seu direito seu fazer esta escolha, mas se você sistematicamente vota por
raiva, procure tratar-se emocionalmente e buscar o necessário equilíbrio
psicológico. Não é justo toda a sociedade pagar o preço elevado de escolhas
erradas. Procure fazer o contrário, vote por amor a alguma causa. Se você
procurar bem, sempre encontrará um bom motivo para votar em alguém. Pense no
futuro e não no passado! O passado não muda mais. Pelo menos tente influenciar
o futuro.
Se você é dos que gostam sempre de
estar do lado do vencedor, é um “Maria vai com as outras” e vota naquele que
lhe parece que vai ganhar, você está jogando fora a oportunidade de fazer a
diferença. O seu voto junto com o de muitos outros, podem mudar o seu futuro e
destino da sua cidade. Procure influir com o seu voto no balizamento da
administração. Não espere que as coisas aconteçam por obra do acaso. O acaso, tem
mais probabilidade de gerar o caos e não o progresso. Você com um pouquinho de
esforço pode engordar o percentual do voto consciente, pense nisto! Você tem um
pouco de dificuldade de se apaixonar por uma causa. Gosta de abraçar a escolha
dos outros. Escolha você mesmo. Não deixe os outros decidirem por ti! Use o seu
direito de dar um voto cidadão!
Pelo visto acima, consciência,
elemento essencial à cidadania, é coisa ainda rara nos seres nos nossos
cidadãos brasileiros. Daí porque considero que estamos ainda distantes da
verdadeira democracia e que consciência e política são elementos que parecem
não se juntam muito bem por aqui. Não é por acaso que grandes democracias pelo
mundo afora vão melhores que nós. Entre outras causas, está que nestes locais
se voto com mais consciência.
Temos que melhorar a educação
neste país para formar sujeitos autodeterminados e que atuem de maneira
consciente em suas vidas de cidadãos.
Nenhum comentário:
Postar um comentário