Para Quem Governarão os Eleitos?
A resposta
está lá na origem da construção da candidatura e do transcurso da eleição. Candidaturas
que surgem do anseio popular, respaldadas em compromissos partidários e cujos planos
de governo foram construídos juntos com a população, tendem a cumprir os
compromissos coletivos assumidos e governar para o povo. Candidatura costurada
no âmbito partidário e apoiada por grupo sem compromisso popular tem uma grande
tendência de governar para os interesses do grupo que o elegeu.
O eleito deve
governar para todos, mas há muitos prefeitos que governam para os companheiros
e para os amigos, sonegando a maioria da população os benefícios de uma
administração voltada para o bem comum. Para evitar a partidarização da
administração pública e o governo para amigos, cabe à população organizar-se e
atuar de forma coletiva, fazendo pressão popular para a solução dos problemas e
também, fazendo surgir os investimentos necessários nas áreas prioritárias.
Neste caso é importante a participação e qualificação dos conselheiros nos
diversos conselhos municipais, bem como a presença também dos cidadãos nas
reuniões (Controle popular). A câmara de vereadores deve ser zelosa e eficiente
no papel constitucional de fiscalizar o executivo. Existe de parte dos “amigos do rei” (pessoas que ajudaram o
eleito a chegar ao cargo) uma pressão às claras ou de forma velada na defesa
dos interesses pessoais, ou no mínimo a busca de um tratamento privilegiado.
Nota-se esta intenção no costume que ultimamente tem se estabelecido no pós-eleição
em que os vencedores fazem questão de demonstrar que são eleitores que votaram
no eleito, através da ostentação nos automóveis do número de votos que deram a
vitória, bem como uso de camisetas, adesivos ou qualquer coisa que os identifique
como pertencentes ao lado vencedor e, portanto, com direito a benesses a mais
do que os demais cidadãos.
Cabe então aos
eleitos, usando a da força dos votos confiados a eles, dirimir conflitos de
interesses de grupos, afastar da administração pública interesses pessoais e
contemplar o bem comum. No universo das pessoas não deve existir para o
verdadeiro homem público, o companheiro e o opositor, mas sim o cidadão com
seus deveres e seus direitos. Esta não é a realidade mais presente no nosso
meio. Precisamos mudar isto com urgência para que possamos sonhar com dias
melhores para nossos municípios.
Orlando Vanin Trage
Cirurgião Buco-Maxilo-Facial
Nenhum comentário:
Postar um comentário