terça-feira, 30 de outubro de 2012

Para quem governarão os eleitos?


          Para Quem Governarão os Eleitos?

          A resposta está lá na origem da construção da candidatura e do transcurso da eleição. Candidaturas que surgem do anseio popular, respaldadas em compromissos partidários e cujos planos de governo foram construídos juntos com a população, tendem a cumprir os compromissos coletivos assumidos e governar para o povo. Candidatura costurada no âmbito partidário e apoiada por grupo sem compromisso popular tem uma grande tendência de governar para os interesses do grupo que o elegeu.

          O eleito deve governar para todos, mas há muitos prefeitos que governam para os companheiros e para os amigos, sonegando a maioria da população os benefícios de uma administração voltada para o bem comum. Para evitar a partidarização da administração pública e o governo para amigos, cabe à população organizar-se e atuar de forma coletiva, fazendo pressão popular para a solução dos problemas e também, fazendo surgir os investimentos necessários nas áreas prioritárias. Neste caso é importante a participação e qualificação dos conselheiros nos diversos conselhos municipais, bem como a presença também dos cidadãos nas reuniões (Controle popular). A câmara de vereadores deve ser zelosa e eficiente no papel constitucional de fiscalizar o executivo.       Existe de parte dos “amigos do rei” (pessoas que ajudaram o eleito a chegar ao cargo) uma pressão às claras ou de forma velada na defesa dos interesses pessoais, ou no mínimo a busca de um tratamento privilegiado. Nota-se esta intenção no costume que ultimamente tem se estabelecido no pós-eleição em que os vencedores fazem questão de demonstrar que são eleitores que votaram no eleito, através da ostentação nos automóveis do número de votos que deram a vitória, bem como uso de camisetas, adesivos ou qualquer coisa que os identifique como pertencentes ao lado vencedor e, portanto, com direito a benesses a mais do que os demais cidadãos.

          Cabe então aos eleitos, usando a da força dos votos confiados a eles, dirimir conflitos de interesses de grupos, afastar da administração pública interesses pessoais e contemplar o bem comum. No universo das pessoas não deve existir para o verdadeiro homem público, o companheiro e o opositor, mas sim o cidadão com seus deveres e seus direitos. Esta não é a realidade mais presente no nosso meio. Precisamos mudar isto com urgência para que possamos sonhar com dias melhores para nossos municípios.

 

Orlando Vanin Trage

Cirurgião Buco-Maxilo-Facial

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